Ibama resgata mogno apreendido no PA

Quarenta fiscais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) começaram, nesta segunda-feira, pela Terra do Meio, região do sudoeste do Pará onde estão localizadas as últimas reservas de mogno da Amazônia, uma operação de resgate de todo o mogno extraído e transportado ilegalmente de reservas indígenas e áreas de preservação ambiental.O trabalho começou com a transferência de 14 mil metros cúbicos apreendidos no final do ano passado em 150 quilômetros de terras públicas entre os Rios Xingu, Carajari, Iriri e Curuá.Parte dessa madeira, cerca de 9 mil metros cúbicos, está sendo removida do Rio Carajari para o Rio Iriri. Ela ficará sob a responsabilidade de um fiel depositário escolhido pela Justiça Federal e por agentes do governo.Os outros 5 mil metros cúbicos, segundo o chefe de Fiscalização do Ibama, José Leland, foram extraídos pelas madeireiras Ferreira e CR Almeida em áreas de litígio entre as localidades de Humaitá, Seringal e Monte Alegre, nos Rios Curuá e Pardo, em Altamira.Leland disse que as duas operações de resgate da madeira apreendida devem durar cerca de 80 dias, em razão das dificuldades de acesso aos locais onde todo este mogno está depositado. O trabalho está sendo acompanhado por ativistas do movimento Greenpeace e conta com a colaboração do Batalhão de Infantaria e Selva, do Exército, que cedeu ao Ibama toda a infra-estrutura de acampamento.Para garantir o transporte seguro do mogno apreendido, os fiscais contam com o apoio de aviões e helicópteros, além de lanchas. O Ibama também investiga denúncia feita na semana passada pelo vereador do município de Redenção, Pedro Tindor (PSDB), sobre 21 mil metros cúbicos de mogno, avaliados em R$ 65 milhões, que teriam sido retirados das terras dos índios caiapós.Tindor garante que o mogno estaria armazenado em balsas no Lago do Poty, no Rio Xingu, na fronteira do Pará com Mato Grosso. O vereador informou que pistoleiros fortemente armados protegem a saída da madeira, cujo destino seria algumas serrarias do município de São Félix do Xingu, no sul do Pará.

Agencia Estado,

28 de janeiro de 2002 | 17h21

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