Ibama vai regulamentar treinamento de falcões

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) quer regulamentar no País a falcoaria, arte milenar de treinar e manusear falcões. O objetivo é utilizar as aves de rapina na prevenção de acidentes aéreos e no controle de aves que causam problemas ao homem e ao meio ambiente. Segundo o diretor de Fauna e Recursos Pesqueiros do Ibama, José de Anchieta dos Santos, ?a legislação permite a falcoaria, mas a atividade deve ocorrer dentro dos critérios científicos, éticos e ambientais?.Para tanto, uma proposta de Instrução Normativa foi preparada por especialistas e está sendo analisada pela Procuradoria Jurídica do Ibama. A legislação exigirá treinamento de pessoal e estabelecimento de escolas de falcoaria, além do uso somente de espécies brasileiras de falconiformes (falcões, gaviões etc.) e de strigiformes (família das corujas), que têm papel importante no controle de morcegos vampiros, que freqüentemente se tornam pragas em fazendas e transmitem a raiva animal.?O Brasil possui 64 espécies de falconiformes e isso representa um grande potencial para a atividade?, diz Leo Fukui, presidente da Associação de Falcoeiros e Preservação de Aves de Rapina. Os falconiformes são predadores naturais de aves e roedores e podem ser usados no controle de pragas urbanas e rurais.Segundo o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aéreos, da Aeronáutica, as colisões de aves com aeronaves próximas aos aeroportos aumentam anualmente. De 250 casos ocorridos em 1999, o número de colisões saltou para 310 em 2000. O choque de uma ave de cerca de 1,5 Kg com uma aeronave a 600 Km/h gera um impacto de 5 toneladas, podendo causar até mesmo a queda do avião.Nos Estados Unidos, foram registradas 2.816 colisões em um período de 10 anos, com a morte de 9 pilotos, a destruição de 16 aviões e prejuízos de US$ 76 milhões. Hoje, a falcoaria faz parte das estratégias de segurança aérea no aeroporto JFK, em Nova York, entre outros aeroportos americanos e europeus.

Agencia Estado,

10 de setembro de 2002 | 10h03

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.