Igreja ajuda a orientar sobre água, dizem ecologistas

A iniciativa da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), de adotar a preservação da água como tema da Campanha da Fraternidade deste ano, foi bem recebida por ambientalistas. Para eles, as palavras dos religiosos podem ser mais convincentes do que as dos políticos e gestores públicos.?Há muito tempo esperávamos uma atividade ?ecológica? da Igreja. A água tem um significado importante na religião, representa a vida?, disse o integrante do Conselho Estadual de Meio Ambiente (Consema) de São Paulo Carlos Bocuhy.Para o ambientalista, os padres católicos têm um alcance importante para a questão, uma das mais preocupantes em todo o mundo. ?No Brasil, há milhões de pessoas que ouvem a Igreja e incorporam as orientações em seu dia-a-dia. A proteção da natureza, na filosofia judaico-cristã, é a proteção da criação de Deus.?No papel do poder públicoA coordenadora da SOS Cantareira, Yuca Maekawa, destacou que a Igreja tem contato direto com a comunidade, aumentando a eficiência da comunicação. ?A sociedade, incluindo as religiões, ocuparam o papel que há muito o poder público não desempenha?, argumentou. ?A comunidade precisa saber que cada rio que passa ao lado de sua casa é importante para reverter a situação.?Yuca não poupou críticas ao poder público, por causa dos baixos níveis nos reservatórios do Sistema Cantareira e a demora em implementar o rodízio, e defendeu políticas mais ?sérias? de abastecimento e gestão de recursos hídricos.?Quando o governador (Geraldo Alckmin, do PSDB) aparece na TV e diz que ainda não há necessidade de racionamento, quando sabemos que há, ouso dizer que está sendo irresponsável. Essa atitude desestimula as pessoas a usarem água racionalmente?, considera.

Agencia Estado,

25 de fevereiro de 2004 | 15h15

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