Andre Lessa/AE
Andre Lessa/AE

Igreja Católica denuncia 'abandono' dos povos indígenas no Brasil

Segundo relatório do Conselho Indigenista Missionário, a falta de auxílio sanitário e a 'crescente violência' contra os índios são principais agravantes da situação crítica

Efe

29 Junho 2011 | 12h06

BRASÍLIA - O Conselho Indigenista Missionário (Cimi), organismo do Episcopado brasileiro, denunciou nesta quarta-feira, 29, o "abandono", a "crítica" situação sanitária e a "crescente violência" contra os índios do país, problemas muitas vezes vinculados a conflitos pela terra.

No ano passado, 92 crianças indígenas morreram por falta de cuidados médicos ou por problemas de saúde das mães na hora do parto, enquanto 60 índios adultos foram assassinados e outros 152 estão sob ameaça de morte, afirma um relatório do Cimi relativo a 2010 e divulgado parcialmente nesta quarta-feira.

O relatório estabelece que os índices de mortalidade infantil em algumas tribos aumentaram "513% em relação a 2009" e cita a população xavante como a mais afetada, com "60 bebês mortos para cada 100 nascidos vivos".

Na maioria dos casos, o Cimi indica que as causas das mortes são a desnutrição, os problemas respiratórios e diversos tipos de doenças infecciosas.

O relatório também cita, embora não precise onde ocorreram, 33 casos de "invasões" de terras indígenas por parte de pessoas alheias a essas comunidades e dedicadas "à exploração ilegal de recursos naturais".

O comunicado do Cimi contém declarações da antropóloga Lúcia Helena Rangel, coordenadora do relatório, que denuncia o "abandono" que os povos indígenas sofrem por parte do Estado.

"Tudo continua igual. O cenário é o mesmo há anos e os fatores de violência se mantêm", declarou Lúcia.

Segundo o bispo Erwin Kräutler, presidente do Cimi, os índios brasileiros "continuam cravados na cruz, são violentados e assassinados ou expulsos de suas terras ancestrais, reduzidos a párias da sociedade e tratados como animais ou vagabundos", "sem as mínimas condições de sobrevivência física e muito menos cultural".

O Cimi afirmou que o estudo se apoia em informações da Polícia Federal e do Ministério Público, embora tenha esclarecido que "não estão contemplados todos os casos", por isso que o conteúdo do relatório "indica apenas uma tendência".

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