Impacto gigante desfigurou hemisfério de Marte

De acordo com três pesquisas publicadas simultaneamente, evidências comprovam teoria do impacto gigante

AP

25 de junho de 2008 | 20h45

Por que Marte tem duas faces? Cientistas dizem que novas evidências apóiam a teoria de que um enorme impacto acertou o planeta vermelho, deixando para atrás o maior buraco em qualquer corpo celeste no sistema solar.   Veja também: Teste seus conhecimentos sobre o Planeta Vermelho   Hoje, a superfície de Marte ter uma dupla personalidade. Seu hemisfério sul tem muitas crateras e é muito acidentado. Por contraste, o hemisfério norte é mais plano e regular.   Três trabalhos publicados na Nature na quinta-feira, 19, fornecem as evidências mais concretas da responsabilidade de uma força exterior pelas diferenças.   De acordo com os pesquisadores, um asteróide ou cometa se chocou com o jovem planeta Marte há 4 bilhões de anos atrás, arruinando grande parte da sua crosta ao norte e criando um buraco gigante em 40% de sua superfície.   Novos cálculos revelam que a cratera conhecida como bacia Borealis mede 8530 por 9656 quilômetros - o tamanho da Ásia, Europa e Austrália juntos.   Astrônomos têm estado intrigados com a paisagem de Marte desde que as primeiras imagens do planeta chegaram na década de 1970, mostrando metades diferentes.   Cientistas que não participaram do estudo disseram que as últimas pesquisas reforçam o argumento do impacto colossal, mas não invalida a outra teoria de que pedra quente de dentro do planeta possa ter emergido e formado crostas diferentes.   "As chances são muito favoráveis ao modelo do impacto", disse Walter Kiefer, cientista da equipe do Instituto Lunar e Planetário em Houston.   A idéia de um impacto antigo foi primeiro desenvolvida por Steve Squyres, da Universidade de Cornell, e Don Wilhelms, do U.S. Geological Survey na década de 1980. Squyres, que agora trabalha com as sondas gêmeas de Marte, disse que sempre desejou que outros cientistas "pegassem a bola e corressem com ela."   No entanto, achar evidências para o tal impacto se provou muito difícil pois parte da bacia está agora coberta com derivados vulcânicos.   Para um estudo, uma equipe de cientistas do Instituto de Massachusetts e da Nasa recriaram como seria a superfície de Marte antes da formação dos vulcões usando medidas de gravidade e da superfície. Eles determinaram que a bacia do impacto tem forma oval, similar ao que seria esperado se um objeto espacial a tivesse atingido em um ângulo.   "O formato é realmente uma das chaves principais de que a bacia tenha se formado provavelmente por um impacto gigante", disse o pesquisador do MIT Jeffrey Andrews-Hanna.   Um grupo separado, liderado pelo Instituto de Tecnologia da Califórnia, desenvolveu simulações em 3-D para determinar as condições em que a bacia se formaria.   De acordo com seus cálculos, um objeto de cerca de 1.6 quilômetros viajando a mais de 20921 quilômetros por hora - ou 24 vezes mais rápido que um jato - acertaria Marte em um ângulo de 30 a 60 graus. A colisão equivaleria à explosão de 75 a 100 trilhões de megatons de TNT.   No terceiro estudo, uma equipe de pesquisadores da Universidade da Califórnia encontrou que ondas de choque de tal impacto poderiam deslocar a crosta do sul.   Todas as três equipes acreditam que tenha sido apenas um grande impacto e não diversos impactos consecutivos pois não há evidências de outras bacias.

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