Incêndio criminoso destrói 10 ha em Itatiaia

O diretor do Parque Nacional de Itatiaia, no sul fluminense, Léo Nascimento, quer que a Polícia Federal cuide do policiamento do parque, para impedir novos focos de incêndio, como o que destruiu 10 hectares neste fim de semana. De acordo com Nascimento, o incêndio foi criminoso e teria sido iniciado por madeireiros, que atuam no lado mineiro da reserva.?O Parque Nacional de Itatiaia é federal, e nós fazemos divisa com três Estados. Portanto, a proteção da área é responsabilidade da Polícia Federal?, afirmou. O fogo começou na noite do último sábado, na região conhecida como Aiuruoca e foi percebido por agentes do Previfogo, equipe do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) treinada para apagar incêndios florestais.Entre as 18 horas de sábado e a manhã deste domingo, os homens trabalharam para apagar o fogo. O vento de 60 quilômetros por hora, a baixa umidade relativa do ar (6%) e o tempo seco contribuíram para espalhar as chamas.O temor da equipe do Previfogo era que o incêndio alcançasse o Pico das Agulhas Negras. Os agentes precisaram da ajuda de um helicóptero para controlar o fogo. Nascimento acredita que o incêndio tenha sido provocado por extratores de candeia ? árvore de madeira nobre e em extinção, encontrada em Aiuruoca.Uma denúncia anônima levou os fiscais do Ibama a apreender, na semana passada, uma tonelada de madeira extraída irregularmente. Os criminosos conseguiram escapar. ?Eles formaram uma quadrilha, que passou a ameaçar de morte os fiscais do parque, segundo denúncias anônimas que temos recebido. Tenho certeza, mas não provas, de que eles começaram o fogo?, afirmou Nascimento.Além dos madeireiros, o diretor do parque tem enfrentado também a ação predatória dos palmiteiros. ?Estamos sitiados por todos os lados. Ao redor do parque são os madeireiros, e na parte alta, os palmiteiros?, queixou-se. Nascimento já enviou documento ao Ibama, pedindo a ajuda da PF. Este foi o primeiro incêndio do ano no Parque de Itatiaia. A última grande ocorrência foi em julho passado, quando dois estudantes paulistas de 14 e 22 anos provocaram um incêndio que destruiu 100 hectares, na região das Prateleiras.

Agencia Estado,

08 de julho de 2002 | 18h10

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