Incêndio em reserva não foi totalmente controlado

O incêndio na Reserva Biológica de Poço das Antas, em Silva Jardim, no interior do Rio, já atinge 21% da área de preservação. Já são aproximadamente 1,1 mil hectares queimados, de um total de 5,5 mil, desde sábado, quando o fogo começou a se alastrar. Oitenta bombeiros e 20 homens da Defesa Civil e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) trabalham para conter as chamas, que atingiram a região de entorno do parque, onde a vegetação é rasteira.A causa do incêndio ainda é desconhecida. Santuário de 250 micos-leões-dourados, o parque abriga também preguiças-coleiras e macacos bugios, entre outros animais, mas nenhum foi encontrado morto até o final da tarde de hoje. Segundo Rodrigo Varella, chefe da reserva, não chove forte na região há mais de duas semanas. "O fogo atingiu uma área já degradada, de vegetação rasteira (conhecida como turfa), mas que estava em recuperação. Vai levar tempo para reflorestar tudo de novo", afirmou.O relações públicas do Corpo de Bombeiros, coronel Jorge Lopes, disse que o trabalho só vai terminar quando o fogo estiver controlado. "Nosso trabalho é incessante e não descartamos nenhuma hipótese para as causas do incêndio". Os bombeiros trabalham no combate ao incêndio com abafadores e bombas presas nas costas, com capacidade para 10 a 20 litros de água. Dois helicópteros despejam mil litros de água, cada um, nos focos. Um trator abre pequenas estradas, "barragens" para impedir o avanço das chamas.De acordo com Rodrigo Varella, grande parte do fogo já foi controlada. "Ainda estamos em combate, mas as rajadas de vento têm dificultado bastante o trabalho dos bombeiros, já que o fogo se espalha mais rápido." Ele disse ainda que as chamas chegaram a três metros de altura com a ventania, mas que, apesar disso, a área de mata fechada não foi atingida. "Provalvelmente, os micos fugiram para as partes mais altas e conseguiram se salvar", disse ele.A Reserva de Poço das Antas foi criada em 1974 e, desde então, tem sofrido com as queimadas. Segundo Varella, a última ocorreu em 2000 e destruiu 526 hectares, mas o pior incêndio registrado até agora foi em 1992, quando 1,2 mil hectares foram atingidos.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.