Incêndio no Butantã põe museus de zoologia em alerta

Com acervo de 10 milhões de exemplares, Museu de Zoologia da USP só tem extintor - e é definido pelo próprio diretor como uma 'bomba-relógio'

AE, Herton Escobar

18 Maio 2010 | 08h43

O incêndio que destruiu o acervo de cobras e aracnídeos do Instituto Butantã fez soar o alarme sobre a falta de apoio à conservação do patrimônio histórico natural do País. Nenhum dos grandes museus de zoologia brasileiros conta com um sistema adequado de combate a incêndios. "Aqui só tem extintor", diz o diretor do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (MZ-USP), Hussam Zaher.

Nem o fato de o museu ser vizinho a uma base do Corpo de Bombeiros deixa Zaher tranquilo. Alocado em um prédio histórico do Ipiranga, o MZ-USP tem um acervo de 10 milhões de exemplares de bichos da biodiversidade brasileira e mundial, de formigas e minhocas a onças e gaviões. Grande parte deles, preservada em potes com álcool - como se faz em qualquer coleção desse tipo no mundo. A coleção de cobras do Butantã, comparativamente, tinha cerca de 85 mil exemplares.

Apesar de o Butantã ser um órgão estadual, o incêndio provocou repercussões também em Brasília. Especialmente na diretoria de Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente (MMA), que prepara uma carta pedindo mais apoio à conservação dos acervos biológicos do País. "Não podemos permitir que uma tragédia dessas se repita", disse o diretor de Conservação da Biodiversidade do MMA, Braulio Dias. "O risco existe em todas as coleções. Nenhuma tem instalações adequadas para detecção e combate a incêndios."

Em outro grande museu de história natural do País, o Museu Nacional do Rio de Janeiro (MNRJ), a situação é igualmente preocupante. Localizado num palácio que data da vinda da família real para o Brasil (1808), o local não conta com brigada de incêndio e grande parte dos hidrantes no entorno do palácio está sem água. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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