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Incêndios no Jalapão afetam aves

Aves típicas de cerrados inalterados pelo homem, como a maria corruíra (Euscarthmus rufimarginatus), antes de ampla distribuição nos campos sujos de quase todo o País, praticamente já não existem senão nos sertões mais isolados, como o Jalapão, no leste do Tocantins. Nos últimos dois anos, esta e 200 outras espécies de aves, vêm sendo protegidas nos 160 mil hectares do Parque Estadual do Jalapão, que une a Estação Ecológica da Serra Geral do Tocantins ao Parque Nacional das Nascentes do Parnaíba, formando um corredor.Mas, nesta época do ano, a proteção torna-se bastante precária, devido à falta de controle sobre o fogo. Queimadas agrícolas em fazendas das vizinhanças com freqüência atingem o cerrado, destruindo grandes extensões de vegetação nativa. Faltam aceiros e refúgios para a fauna, exposta ao fogo em plena época de reprodução, conforme presenciaram, neste início de setembro, os ornitólogos José Fernando Pacheco e Robson Silva e Silva, que acabam de realizar uma expedição ao Jalapão para levantamento da avifauna, organizada pela entidade não governamental Birdlife International.?A maioria das plantas de cerrado é adaptada ao fogo e a fauna também tem meios de se abrigar?, observa Pacheco. ?Mas o fogo natural, a que estão adaptados, ocorria no início do verão, provocado por raios, e era seguido de chuvas. Ou seja, era um fogo que passava rápido, queimava pequenas extensões e não acontecia todo ano?. Agora, os incêndios provocados pelo homem são bem mais freqüentes e ocorrem no fim da estação seca, quando há mais vento e a vegetação pega fogo mais fácil. Atingem, portanto, áreas muito maiores e são de longa duração, chegando a arder durante dias e noites. Na falta de árvores altas, a rara águia cinzenta faz ninhos baixos, sujeitos à destruição pelo fogo.?E o que é pior, acontecem justamente na época de reprodução da maioria das aves?, acrescenta Pacheco. Segundo ele, 80% das aves típicas de cerrado faz ninhos no chão ou até 1,5 metro do solo e setembro é a principal época de acasalamento. Mesmo aves grandes, de rapina, têm sido prejudicadas por incêndios em seus locais de nidificação. ?Devido à degradação dos cerrados, com o excesso de fogo ou a retirada de madeira, lenha e carvão, já não há muitas árvores altas para a construção dos ninhos dos grandes gaviões, que acabam fazendo ninhos mais baixos e ficam expostas como as outras aves?. É o que tem acontecido, por exemplo, com a águia cinzenta (Harpyhaliaetus coronatus), uma das espécies ameaçadas de extinção do Jalapão. Pouco prolífica, como a maioria das grandes aves de rapina, ela cria apenas 1 filhote a cada ano e meio e sua perda é significativa. Incêndios freqüentes também podem significar menos comida. Não de imediato, mas a médio e longo prazo. Várias aves de rapina voam junto às frentes de fogo, capturando animais moribundos ou em fuga, mas só uma espécie ? o caracará ? alimenta-se de carniça. Quando os incêndios tornam-se freqüentes demais, há uma redução da população de pequenos animais, dos quais as aves de rapina se alimentam, dificultando também sua sobrevivência.Além da maria corruíra e da águia cinzenta, durante a expedição, os dois ornitólogos registraram a presença de outras 4 espécies de aves ameaçadas de extinção, no Jalapão: arara-azul, pato-mergulhão, inhambú-carapé e papa-moscas-do-campo. O pato-mergulhão (Mergus octosetaceus) vive em rios de águas limpas e com corredeiras. Distribuía-se pelo Brasil, Argentina e Paraguai, mas tornou-se ameaçado pela derrubada de matas ciliares, com o conseqüente assoreamento dos rios, e pela construção de hidrelétricas. Já é considerado extinto nos dois países vizinhos e nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, resistindo em áreas isoladas de Minas Gerais, Goiás, Bahia e Tocantins.

Agencia Estado,

12 de setembro de 2002 | 12h28

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