Índia envia missão não-tripulada à lua

Com o lançamento, país celebra suas ambições de progresso científico

S. MURARI, REUTERS

22 de outubro de 2008 | 08h44

A Índia lançou sua primeira missão não-tripulada à lua nesta quarta-feira, 22, seguindo os passos da China. O Chandrayaan-1, espaçonave cubóide construída pela Organização Indiana de Pesquisas Espaciais (Isro, na sigla em inglês), foi lançado de um centro espacial no sul do país, logo após o amanhecer. Com o lançamento, a Índia celebra suas ambições de progresso científico e espera ganhar mais espaço nos negócios espaciais. "O que começamos é uma jornada notável", disse G. Madhavan Nair, chefe da Isro, a repórteres. O lançamento acontece menos de duas semanas depois da Índia ter fechado um acordo de energia nuclear com os Estados Unidos, transformando o país em uma potência nuclear de fato. A operação espacial tem a ambição de mapear a lua, mas a China, no mês passado, já realizou sua primeira caminhada espacial, o que deu status de heróis nacionais aos astronautas chineses. Os indianos não querem ficar para trás na corrida espacial asiática, que pode ter implicações tecnológicas e militares. Há, no entanto, uma desconforto no Ocidente em relação aos objetivos militares da China no espaço. Teme-se que o país queira desenvolver mísseis anti-satélite. "Nossa comunidade científica mais uma vez deixou o país orgulhoso e a nação inteira a saúda", disse o primeiro-ministro indiano Manmohan Singh. Tratado pela mídia local com patriotismo, o lançamento parece ter distraído a Índia da própria desaceleração econômica, da queda dos preços das ações e das ondas de violência étnica e religiosa. Num país onde centenas de milhões de pessoas vivem na pobreza e milhões de crianças estão desnutridas, os custos da missão surpreendentemente foram pouco questionados. "Destino lua... Dia histórico para a Índia", afirmou uma emissora de TV. O projeto custou 79 milhões de dólares, menos do que os projetos chinês e japonês, feitos em 2007. A Isro diz que a missão na lua abrirá caminho para que a Índia tenha uma fatia maior dos negócios espaciais globais. O principal objetivo é procurar Hélio 3, um isótopo bastante raro na Terra, que serve para fazer fusão de energia nuclear. O Hélio 3 pode ser uma fonte valiosa de energia no futuro, acreditam alguns cientistas. Um dispositivo chamado Sonda de colisão lunar vai aterrissar sobre a lua para varrer um pouco de poeira, enquanto os instrumentos analisarão as partículas, segundo a Isro.

Tudo o que sabemos sobre:
CIENCIAINDIAMISSAOLUA*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.