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Índice de raios ultravioleta está alto em Campinas e região

O sol forte e os dias claros do verão reacendem uma situação típica dessa época do ano. Os índices de radiação ultravioleta aumentam e as projeções ficam muito próximas do limite. Em Campinas, no interior, e em São Paulo, o índice observado nesta sexta-feira era de 7, considerado alto, e a projeção limite para este sábado é de 13, em uma escala que vai até 16, segundo medição do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).A pesquisadora do Inpe Neusa Paes Lemes explicou que, embora alto, o índice está dentro dos padrões para esta época do ano. Mas alegou que o céu claro exige atenção e cuidados típicos do verão. O ideal, insiste Neusa, é evitar exposição ao sol no período entre 10 e 15 horas. Se for inevitável, não dispensar o filtro solar. "Até as 10 horas a radiação UVB é boa, saudável para o corpo. Produz vitaminas e cálcio. Das 10 às 15 horas, passa a ser nociva e ter um impacto muito maior", comentou a pesquisadora."Nós costumamos cultuar o sol, mas é preciso lembrar sempre que quanto mais sol, maior têm que ser os cuidados", enfatizou. A radiação ultravioleta pode causar doenças na pele, inclusive mutações e câncer. Pode afetar ainda a visão, contribuir para o desenvolvimento de problemas como catarata e degeneração macular. Óculos escuros de boa qualidade atenuam o problema. "Temos que lembrar que a radiação é cumulativa", acrescentou Neusa. Quanto menor a camada de ozônio, mais a radiação atinge a Terra.Segundo a pesquisadora, nos últimos 7 anos verificou-se redução de 4% da camada de ozônio no mundo. "É uma porcentagem bastante alta, já estamos sentindo os resultados de programas de diminuição do lançamento de CFC (clorofluorcarbono) na atmosfera. A expectativa é alcançar estabilidade em 50 anos", alegou. A pesquisadora apontou, entretanto, que o CFC dura de 60 a 100 anos na atmosfera e continua destruindo o ozônio.Neuza coordena o Laboratório de Ozônio e o Programa Antártica do Inpe. Ela explicou que a redução da camada de ozônio no Brasil é "mais ou menos padronizada e não apresenta grandes diferenças entre as regiões". O Inpe está produzindo um estudo, previsto para ter os primeiros resultados no próximo ano, sobre se o buraco de ozônio na Antártica afeta os estados do sul do Brasil. "No próximo ano poderemos ter um quadro mais ou menos definido", explicou. Segundo ela, o Inpe promove medições na Antártica há dez anos e o banco de dados auxiliará nas pesquisas no sul brasileiro, em parceria com o Ministério do Meio Ambiente e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico (CNPq).

Agencia Estado,

18 de fevereiro de 2005 | 21h48

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