Agência Brasil
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Indígenas são impedidos de entrar no Riocentro

Cerca de 500 manifestantes desistiram de tentar invadir cúpula da Rio+20 após se deparar com ‘muralha’ de agentes de segurança

Marcelo Gomes e Sérgio Torres, do Rio,

20 Junho 2012 | 22h30

Uma espécie de muralha humana formada por 120 militares e policiais equipados com escudos, máscaras de gás, granadas e capacetes com viseiras impediu que um grupo de 500 índios, armados com flechas, lanças e bordunas, invadisse na manhã desta quarta-feira, 20, a área de segurança do Riocentro, onde ocorria a cúpula de chefes de Estado da conferência Rio+20.

 

Por muito pouco não houve confronto. Os índios, parecendo intimidados com o aparato militar, preferiram sentar-se ao chão, cinco metros antes da barreira, a tentar ultrapassá-la. Chefiados pelo cacique Raoni, da etnia caiapó, eles desistiram da invasão, esboçada até mesmo à revelia dos movimentos sociais que apoiam a causa por eles defendida, o abandono da construção da hidrelétrica de Belo Monte, no Pará.

Coube ao secretário-geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, apaziguar os ânimos dos índios, que vieram ao Rio de vários Estados das regiões Norte, Centro-Oeste, Nordeste e Sul. Ele deixou o Riocentro para conversar com Raoni e outros líderes, em plena rua e sob chuva. Acabou convencendo-os a deixar o local. Em troca, prometeu levar à cúpula da conferência uma comissão de 12 indígenas, que preparariam um documento com protestos e reivindicações.

A manifestação na área próxima ao Riocentro foi planejada em detalhes por lideranças dos movimentos sociais reunidas nos últimos dias na Cúpula dos Povos, evento paralelo à Rio+20 realizado no Aterro do Flamengo (zona sul do Rio). O tom do protesto seria o projeto da Prefeitura do Rio de remover os cerca de 4.000 moradores da favela Vila Autódromo, vizinha ao Riocentro. No terreno, seriam erguidas edificações para os Jogos Olímpicos de 2016.

Na noite de segunda-feira, para burlar os bloqueios militares que seriam montados a partir da madrugada de ontem ao redor do Riocentro, cerca de 300 manifestantes foram até a favela Vila Autódromo, onde passaram a noite preparando faixas e cartazes de protesto contra a remoção da comunidade. Os demais participantes foram chegando no decorrer da manhã. Às 10h, havia cerca de 5.000 manifestantes à espera da ordem do comando de iniciar a passeata até o Riocentro. Como a ordem demorou, os índios se irritaram e partiram em direção ao Riocentro.

"Não tem mais conversa, vocês estão enrolando, vamos invadir a Rio+20", anunciou às 10h30 o chefe terena Vanio Itaqueti, do Mato Grosso do Sul.

Para desespero dos líderes, os índios não ouviram os apelos para que retrocedessem.

Seguiram diretamente para o ponto de bloqueio, o que levou os comandantes a mandarem os soldados das tropas de choque do Exército e da Polícia Militar vestir as máscaras contra gás e adotar postura de combate. Helicópteros passaram a voar sobre o protesto. Um blindado da Polícia Militar foi posicionado junto à tropa, para atuar em um possível enfrentamento.

Apesar da ruptura entre indígenas e movimentos sociais, todos os manifestantes acompanharam a caminhada, só parando quando os liderados por Raoni hesitaram em tentar romper a barreira, definida por uma militante da Via Campesina como "o paredão da morte".

Enviado pela Prefeitura para organizar os protestos e o trânsito, o secretário municipal de Conservação, Carlos Roberto Osório, desistiu de tentar um entendimento assim que os índios decidiram pela manifestação isolada. Ele chegou a orientar os carros presos em meio à confusão, como se fosse uma guarda de trânsito "O combinado era que o ato não passaria do autódromo. Isso foi desrespeitado, mas manifestação é sempre imprevisível. Esperamos que (o ato) seja pacífico. A prefeitura só controla o trânsito", esquivou-se.

Após o entendimento com Raoni, o ministro Gilberto Carvalho qualificou os índios como "pessoas de luta". "São gente séria que reivindica, gente que luta por seus direitos. Estou muito bem no meio deles", afirmou o secretário-geral.

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