Índios pedem mudança de política ao novo governo

Índios de 29 etnias de todo o Brasil encaminharam nesta segunda-feira sugestões de políticas indigenistas para o próximo governo, como a ampliação do programa de demarcação de terras e a criação de meios para as comunidades sedesenvolverem economicamente.Eles criticaram a falta de comunicação com o governo Fernando Henrique Cardoso e disseram que aguardam definição do que será feito na gestão de Luiz Inácio Lula da Silva para melhorar a vida nas aldeias.Durante seminário organizado pelo Museu Nacional, que teve início nesta segunda, os índiosreivindicaram uma política de Estado que inclua soluções para problemas do dia-a-dia das aldeias, como falta de assistência médica, educação e segurança e também assuntos de fronteira.?Tudo tem que ser mudado?, afirma Gersem Luciano, da etnia Baniwa, coordenador do Projeto Demonstrativo dos Povos Indígenas (PDPI) ? umaparceria entre o governo federal e entidades indigenistas criada em 2001.Gersem Luciano elogiou o documento ?Compromisso com os povos indígenas? divulgado pelo então candidato Lula durante a campanha eleitoral, mas cobrou soluções práticas para os problemas. ?No governo Fernando Henrique houve pouco diálogo. Asidéias de Lula são boas, mas é preciso pensar no dia-a-dia. Queremos que o compromisso político se torne prática. A intenção é boa, mas como fazer? Isso ainda não se sabe.?O seminário, que termina nesta quarta-feira, reuniu representantes de entidades como a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB), a Associação dos Povos Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (APOINME) e a Fundação Nacional do Índio (Funai), além de antropólogos e membrosdo governo de transição.Os índios apontaram como principal desafio a subsistência nas áreas demarcadas ? que somam hoje 100 milhões de hectares. ?É preciso criar condições para que a população consiga sobreviver em sua terra e não tenha que migrar para uma cidade maior?, defendeu Gersem Luciano.?Cada região depende de uma determinadaatividade, seja artesanato, agricultura, pecuária ou pescaria. As vocações têm que serrespeitadas?, acredita Wilson Jesus de Souza, da etnia Pataxó, que vive na Bahia.O antropólogo Márcio Meira, que faz parte da equipe de transição do PT, disse que ogoverno faz questão de criar um debate nacional sobre a questão indigenista, a fim deestabelecer uma nova agenda para o assunto. Ele está finalizando um relatório sobre asatuais condições da Funai a ser entregue ao presidente eleito.

Agencia Estado,

16 de dezembro de 2002 | 18h02

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