Indústria paulista desenvolve agenda ambiental

Um dos grandes desafios da Câmara Ambiental (Fiesp), lançada hoje pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, será mobilizar setores da própria indústria, ainda pouco sensíveis ao tema. ?É comum o empresário reclamar e procurar soluções somente após o leite derramado. A primeira atividade deve ser justamente trazer a indústria para a Câmara Ambiental?, disse Eduardo San Martin, representante da Associação Brasileira da Indústria Têxtil, durante a primeira sessão da Câmara.?Vamos colocar todos os lados juntos - governo, empresários e organizações não-governamentais - e tentar agir para ter pelo menos um patamar mínimo de avanço. O objetivo é também provocar os segmentos que ainda não levam o assunto a sério?, disse o presidente da Fiesp, Horácio Lafer Piva. Segundo Piva, buscar o desenvolvimento sustentável é fundamental para a preservação dos recursos e para a qualidade de vida. ?Hoje os maiores problemas estão na informalidade e na dificuldade das pequenas empresas em se adequar?, disse. A busca pela adequação ambiental começou a crescer na Fiesp a partir do desenvolvimento da legislação e do aparato ambiental no país e no estado de São Paulo, principalmente depois dos anos 80. ?A preocupação da indústria em relação ao meio ambiente tem aumentado em progressão geométrica nos últimos 15 anos, com os maiores avanços justamente nos setores com maiores problemas ambientais. Uma iniciativa como a Câmara não seria aceita na Fiesp há 20 anos?, diz Ângelo Albiero Filho, diretor do Departamento de Meio Ambiente da Federação.A Câmara Ambiental é parte da Agenda da Conformidade Ambiental da Indústria Paulista, que traz ?compromissos e ações da indústria paulista na direção de um desenvolvimento alicerçado nos princípios da sustentabilidade econômica, social e ambiental?. A Agenda propõe quatro estágios de abordagem ambiental nos negócios, a começar pela conformidade legal, ou seja, atendimento a exigências ambientais estipuladas em legislação. ?A Fiesp nunca defendeu atitudes contrárias à legislação?, explica Albiero.Além disso, a Agenda recomenda a conformidade normativa, que corresponde ao atendimento voluntário às exigências estabelecidas em normas técnicas ambientais de gestão e de processos, inclusive com certificações. Recomenda também a ecoeficiência, através da adoção de processos de produção em conformidade com os requisitos ambientais, considerando a avaliação dos impactos no meio ambiente, custos ambientais e melhoria contínua. Por último, propõe o econegócio, que refere-se a inserção em mercados de padrões de consumo ambientalmente responsável.

Agencia Estado,

07 de março de 2002 | 16h16

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