Indústrias têxteis investem em produção limpa

Reduzir a produção de poluentes da indústria têxtil através da substituição de processos e matérias-primas, ao invés de lançar mão de filtros ou tecnologias de controle de emissões é o principal objetivo de uma nova parceria entre a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (ABIT) com a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb). O acordo formal será assinado hoje à noite, entre o governador Geraldo Alckmin, o presidente da ABIT, Paulo Skaf, e o diretor da Cetesb, Dráuzio Barreto.?Com base em dois casos de sucesso ? da Santista Têxtil e da Cermatex ? que obtiveram resultados fantásticos, pretendemos estender a experiência da produção limpa ao maior número de empresas do setor, de uma forma não obrigatória, mas garantindo as condições técnicas necessárias?, diz Paulo Skaf, da ABIT. ?Além de reduzir a poluição, estaremos promovendo a economia de energia e água, num momento em que há escassez de ambos, e assim estamos contribuindo para reduzir também o custo Brasil?.As duas empresas receberam a visita de técnicos da Cetesb, responsáveis pela avaliação dos sistemas de produção e pelas propostas de mudanças, com o objetivo de reduzir a produção de poluentes, essência da filosofia de produção limpa, hoje considerada uma tendência mundial, na linha do desenvolvimento sustentável. Cada empresa adotou soluções distintas, mas ambas obtiveram uma redução significativa na emissão de poluentes, além de economizar insumos básicos como água (em torno de 15% de economia) e energia (8%). O retorno dos investimentos ocorreu em aproximadamente seis meses, apenas com o corte de custos. ?Cada caso é um caso e os resultados podem não ser os mesmos para todas as empresas?, pondera Eduardo San Martin, diretor de Meio Ambiente da ABIT, que espera mobilizar as indústrias têxteis de São Paulo e, posteriormente, de todo o Brasil, através de workshops, treinamentos e cursos. A equipe técnica da Cetesb, que dá as orientações técnicas, deve receber um reforço de consultores internacionais, através de acordos com associações do setor têxtil da Europa. A expectativa é de se conseguir a adesão de centenas de indústrias.Os poluentes mais comuns do setor têxtil estão concentrados nos efluentes líquidos. São químicos derivados de corantes usados no tingimento de tecidos, às vezes contendo metais pesados, ou detergentes usados na lavagem dos tecidos ou confecções. Há também poluentes orgânicos, como as gomas. E, em alguns casos, há problemas com material particulado e gases emitidos por caldeiras.

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