Inpe critica falta de fiscalização contra queimadas

O Brasil vai continuar ocupando o primeiro lugar no ranking mundial no que se refere a queimadas, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que realiza estudos sobre o assunto, na unidade de Cachoeira Paulista, no interior paulista. A colocação do país, que perdura por quinze anos, não é mais novidade para especialistas.Para o pesquisador do Inpe, Alberto Setzer, responsável pelo monitoramento de queimadas no País, as leis que visam a proteger o meio ambiente foram ?muito bem elaboradas, porém pouco aplicadas?. Ele elogia o trabalho, por exemplo, do Ibama, com relação à fiscalização na Amazônia e da Operação Mata-Fogo, mantida pelo governo de São Paulo, mas acredita que o problema é muito maior do que as ações fiscalizadoras. ?O problema é de conscientização e educação de cada agricultor que coloca fogo em suas terras, por exemplo?.A lei 9.605 que protege o meio ambiente deixa claro que provocar incêndios em matas é crime, com pena de dois a quatro anos de prisão, além de uma multa proporcional ao impacto ambiental. Porém a grande quantidade de queimadas em todo País ? só quarta-feira foram 48 ? impossibilita que o problema seja eliminado, ou pelo menos, amenizado.?Grande parte das queimadas é provocada pela ação humana e não pela ação do tempo?, diz o pesquisador. Segundo ele, a baixa umidade do ar e a falta de chuvas contribuem para o aumento do problema, mas não podem ser apontados como os principais responsáveis.Em todo território nacional, de junho a novembro do ano passado, foram registrados 135.246 focos. Os números representam um aumento de 40,7% com relação às queimadas em 2000, quando foram notificados 96.111 focos. A análise mostra que as queimadas se concentram no mês de setembro, quando, no ano passado, foram registrados 39.303 ocorrências.Para este ano, a chegada dos períodos de seca em maio e junho, contribuem para o início da época das queimadas. ?Os agricultores aproveitam estes dias para atear fogo nas plantações?. Para o pesquisador, as ocorrências atuais ainda são pequenas. ?O pior está por vir, entre os meses de agosto e setembro? afirma Setzer.Os Estados do Mato Grosso, Pará e Tocantins lideram as queimadas no País, mas a situação, segundo o pesquisador, também é crítica nas áreas do Piauí, oeste da Bahia e sul do Maranhão. ?Com relação a estes estados, São Paulo ainda está bem, mas pode melhorar e registrar menos queimadas?.

Agencia Estado,

02 de maio de 2002 | 19h26

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