Instituto Florestal restringe visitas a parque por questões de segurança

A partir deste final de semana estão restritas as visitas ao Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira (Petar), a unidade de conservação com maior concentração de cavernas de São Paulo. A interdição parcial foi decidida pelo Instituto Florestal (IF), responsável pelo parque, após uma reunião com agências de ecoturismo, especialistas em exploração de cavernas (espeleólogos), proprietários de pousadas e outras instituições ligadas à visitação, realizada em função de mais um acidente fatal na unidade de conservação, envolvendo turistas.No último dia 26, um visitante natural de Apiaí afogou-se na piscina natural do Núcleo Santana, tendo entrado na água após ingerir bebidas alcóolicas. É o segundo acidente fatal do ano. Nos feriados de Carnaval, um guia e um turista morreram dentro da caverna Casa de Pedra, tragados por uma enchente repentina, comum durante o verão, naquele trecho. A caverna não deveria receber visitantes durante a estação chuvosa, no entanto haviam pelo menos dois grupos monitorados em seu interior, quando o rio subiu. E a média de visitação, nos feriados, chegou a ser de 100 pessoas por dia.?Temporariamente, optamos por restringir a visitação apenas aos grupos previamente agendados, como forma de garantir a segurança aos turistas. O camping será fechado por tempo indeterminado, porque é uma atividade com menos condição de controle, e todos os grupos de visitantes serão acompanhados de um monitor do parque?, explica Maria Cecília Wey de Brito, diretora do IF. Até agora, os visitantes não agendados podiam entrar no parque e optar por contratar um monitor ou não. Agora a presença do monitor especializado é obrigatória.O instituto ainda está negociando a instalação de uma unidade do Corpo de Bombeiros em Apiaí, para atender emergências, e o aumento do policiamento dentro do parque. As agências e operadores de ecoturismo devem estabelecer um convênio com o IF para manter grupos permanentes de resgate, com paramédicos e gente especializada, de forma a poder atender as necessidades específicas da visitação em caverna, reforçando ainda mais a segurança. ?Infelizmente algumas pessoas sentem-se confiantes demais, a ponto de dispensar monitoria, e colocam em risco a própria vida, senão a de outros colegas?, continua Maria Cecília. ?Esta restrição de visitação deve perdurar enquanto não pudermos implementar de fato o plano de manejo do parque, que depende de recursos de compensação ambiental, nem sempre disponíveis. Esperamos sensibilizar o governador ? porque o secretário (de Meio Ambiente) já está sensibilizado ? para a necessidade de um concurso, complementando o contingente de funcionários das unidades de conservação, sobretudo com vigias e trabalhadores braçais para a manutenção?.Somando todas as unidades de conservação paulistas, o Instituto Florestal é responsável por um perímetro de mais de 6 mil quilômetros. ?Não é pouco. Fazemos o melhor possível, mas precisamos contar com a consciência dos visitantes em relação à própria segurança?, acrescenta a diretora da instituição.

Agencia Estado,

30 de outubro de 2003 | 18h13

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