Instituto pede que TV deixe de estimular obesidade infantil

O Instituto de Medicina da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos divulgou um alerta enfático, afirmando que os programas infantis de TV e seus personagens estão contribuindo para uma epidemia de obesidade sem precedentes entre as crianças americanas.Junto com um relatório, o instituto divulgou recomendações expressas para que as autoridades iniciem campanhas de orientação sobre alimentação saudável. Fundos para financiar estas campanhas devem ser criados, segundo o documento, com recursos das indústrias de doces e salgadinhos que vêm causando a explosão de obesidade infantil no país.No relatório os especialistas afirmam que é preciso acabar com produtos como os cereais altamente açucarados que ficam nas prateleiras em embalagens de Shrek e outros personagens infantis. Eles recomendam que os personagens sejam usados para incentivar o consumo de alimentos saudáveis.Evidências suficientesEllen Wartella, da Universidade da Califórnia, que integrou o grupo de estudos, disse ao New York Times que não há mais como negar a responsabilidade da mídia, principalmente a TV, sobre as preferências alimentares das crianças até 12 anos. "Há evidências suficientes para tomarmos uma atitude", afirmou."A indústria não gasta US$ 10 bilhões anuais em publicidade para crianças porque gosta de jogar dinheiro fora. Os anúncios deles funcionam, e funcionam brilhantemente", disse o senador democrata Tom Harkin, de Iowa, um dos parlamentares que apoiaram a realização do estudo.O comitê de especialistas também se baseou em vários outros estudos sobre a relação entre comerciais de TV e a crescente obesidade infantil nos Estados Unidos. Mas as recomendações se estendem também ao marketing embutido em games, sites e todas as formas de publicação que atinjam as crianças e adolescentes.Diabete e hipertensãoA obesidade virou epidemia nos Estados Unidos. Ao longo de 2004, a porcentagem de pessoas obesas cresceu de 23,7% para 24,5% da população, com aumento em 48 dos 50 Estados americanos. De 1987 a 2002 as despesas com obesos aumentaram de US$ 3,6 bilhões por ano (2% das despesas médicas particulares) para US$ 36,5 bilhões (11,6%).Entre as crianças, o problema vem crescendo há 20 anos e os desdobramentos são dramáticos. Médicos já tratam de casos diagnosticados como "diabesidade". Crianças e adolescentes começaram a ser vítimas de diabete tipo II, além de apresentarem outras complicações, como hipertensão arterial e colesterol elevado.O relatório pode ser adquirido através do site da Academia de Ciências dos Estados Unidos. Uma nota informativa pode ser lida a partir do link no destaque.

Agencia Estado,

07 de dezembro de 2005 | 12h17

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