Instrumento da Phoenix encontra paradoxo da água em Marte

Sonda de condutividade elétrica detecta umidade no ar, mas falha em encontrar sinais de água no solo

08 de setembro de 2008 | 15h14

Um instrumento da sonda Phoenix detectou variações na umidade do ar na região ártica de Marte, mas quando analisou o solo obteve dados que indicam uma superfície incrivelmente seca. Cientistas estão tendo dificuldade em conciliar as duas leituras. "Se você tem vapor d'água no ar, todas as superfícies expostas a esse ar terão moléculas de água aderidas que são meio móveis, mesmo a temperaturas muito abaixo da de congelamento", explica Aaron Zent, principal cientista do instrumento em questão, a sonda térmica e de eletrocondutividade.   Comando da Phoenix quer prorrogar missão até novembro   De acordo com nota distribuída pela Nasa, nos terrenos conhecidos da Terra onde o solo congelado é recoberto por uma fina camada de moléculas de gelo derretido pode haver vida microbiana. Um dos objetivos do envio da sonda de condutividade elétrica a Marte foi determinar se o terreno congelado do ártico de Marte teria uma camada detectável de água nas partículas do solo. Avaliando como a eletricidade se move entre os dentes do instrumento - semelhante a um garfo - a Phoenix é capaz de determinar a presença de camadas de água a partir de uma molécula de espessura.   Todos os testes realizados até a semana passada com a inserção das agulhas da sonda no solo deram o mesmo resultado: "As medições são consistentes com um solo extremamente seco", disse Zent. "Não há sinais de camadas delgadas de umidade, o que é intrigante".   Outros dados levantados pela Phoenix davam aos cientistas motivos para esperar um resultado diferente. Um deles são as medições, feitas pelo próprio instrumento de condutividade, mostrando umidade no ar. "As transições de umidade relativa, de quase zero a quase 100%, a cada ciclo de dia e noite, sugere que há um bocado de umidade se movendo para dentro e para fora do solo", disse ele. Além disso, há a confirmação da existência de uma camada de gelo a cerca de 5 cm abaixo da superfície.   Para completar, a coesão apresentada pelas partículas de solo recolhidas pela pá da Phoenix diminui com a exposição prolongada dessas amostras ao ar, o que sugere a evaporação de umidade presente no solo. "Deveria haver alguma água presa às partículas de solo acima do gelo", disse Zent. "Pode ser muito pouco para detectar, mas ainda não terminamos de procurar".

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