Invasão do Parque Nacional do Iguaçu evidencia conflito no PT

A invasão do Parque Nacional do Iguaçu, no Paraná, nesta madrugada, reabre uma antiga polêmica, que tem representantes do Partido dos Trabalhadores em lados opostos. Políticos do PT de localidades próximas ao parque, liderados pelo deputado Irineu Colombo, querem a reabertura da antiga Estrada do Colono e apoiam abertamente os invasores, que, desta vez, romperam as cercas com dois tratores e destruíram o posto local do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama). O Ministério do Meio Ambiente (MMA) defende a integridade do parque e considera a estrada inviável, conforme a legislação vigente e de acordo com a decisão tomada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em novembro de 2000.A Estrada do Colono tinha 18 quilômetros dentro do Parque Nacional do Iguaçu, onde isolava um fragmento de floresta de 7.200 hectares com impactos sobre a biodiversidade. Foi construída para ligar as cidades paranaenses de Medianeira e Capanema. Fechada por ordem judicial em 1986, permaneceu assim até 1996, quando foi reaberta à força por fazendeiros, com apoio de políticos locais, que se recusaram a atender diversas ordens judiciais de fechamento. Uma nova invasão ocorreu em 2000, colocando o parque na lista de Patrimônios Naturais da Humanidade em perigo e gerando uma ampla campanha internacional em defesa da unidade de conservação. O último fechamento, em junho de 2001, dependeu de uma operação conjunta da Polícia Federal, Exército e Ibama, cumprindo uma determinação da Justiça, de 1997, reiterada pelo STF em 2000. O leito da estrada foi, então, destruído e árvores de espécies nativas, replantadas, de modo que a vegetação ali estava em franca recuperação, até esta nova investida.?É um ato de vandalismo surpreendente, uma vez que o ministério vinha implementando uma agenda positiva nas localidades próximas ao parque, visando criar alternativas de visitação através de Capanema, com o objetivo de incrementar o interesse desta população em relação à unidade de conservação?, diz João Paulo Capobianco, secretário de Biodiversidade do MMA. ?De acordo com a legislação, é absolutamente inviável abrir uma estrada de rodagem dentro de um parque, sobretudo neste caso, em que o leito da estrada não existe mais e a reabertura da estrada estaria degradando a vegetação?.Para a ambientalista Teresa Urban, da Rede Verde, faltou ação efetiva do Governo Federal, no sentido de mudar a relação da comunidade com o parque. ?O plano de manejo, finalizado em 2000, tem um grande capítulo dedicado a ações para o entorno, sugerindo atividades, medidas e obras, jamais realizadas. Além disso, em 2001, foi elaborado um documento, sugerindo ações práticas e viáveis poderia ter neutralizado esta bandeira do desenvolvimento associado apenas à estrada: aquela população está em busca de alternativas de renda e a ausência destas é que dá chance ao oportunismo?, diz. A impunidade é outro fator ressaltado por Teresa Urban: ?Foram três invasões ao parque, desde 1996, e até hoje ninguém foi punido. O Parque Nacional do Iguaçu é um símbolo da resistência da Mata Atlântica, é o segundo parque mais antigo do Brasil, um monumento internacional notável, Patrimônio Natural da Humanidade. O que governo fizer com o Iguaçu revelará sua política real de conservação. É aí que se vai demostrar se existe uma intenção de fazer conservação no país ou não?.

Agencia Estado,

04 de outubro de 2003 | 13h26

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