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Isolamento do Recanto dos Pássaros irrita moradores

O decreto da Prefeitura de Paulínia que determina o isolamento do Recanto dos Pássaros, contaminado por organoclorados pela Shell Química do Brasil, está causando polêmica entre moradores do bairro. Nesta sexta-feira, dois dias depois da publicação do decreto, cinco famílias, duas de caseiros e três de proprietários, ainda permaneciam na área, desobedecendo à decisão da Prefeitura.O isolamento, que prevê a proibição da permanência e do trânsito de pessoas no bairro, foi divulgado na última quarta-feira e decidido em função das chuvas de segunda-feira. De acordo com a assessoria de imprensa, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente avaliou que as chuvas podem ter exposto os agentes contaminantes depositados no solo e indicou o isolamento.A Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) não se manifestou sobre o decreto, mas alegou que as chuvas não atingiram nem interferiram nas áreas contaminadas. Segundo o gerente da Cetesb de Paulínia, Luiz Eduardo Souza Leão, a responsabilidade de isolar a área é da Prefeitura, que tomou a decisão.Na quarta-feira, 32 pessoas foram transferidas do bairro para um hotel da cidade, com estada custeada pelo município. A assessoria de imprensa da Prefeitura informou que, caso as cinco famílias resistam em deixar suas casas, serão tomadas medidas judiciais, inclusive o apoio da polícia para a retirada dos moradores.Um dos resistentes, Antônio de Pádua Melo, disse nesta sexta que somente deixará o bairro se puder ir para uma casa similar à sua. Ele demonstrou ter considerado precipitada a decisão da Prefeitura de isolar a área. O advogado dos moradores do bairro, Waldir Tolentino de Freitas, apontou que a ?decisão gera conseqüências sobre as quais a Prefeitura terá responsabilidades?.Melo afirmou que um funcionário municipal sugeriu que ele e a família, de quatro pessoas, fossem para um ginásio esportivo. ?Tenho 72 anos, não vou sair da minha casa para ir com minha família para um ginásio. Não quero me insurgir nem cobrar nada, mas a Prefeitura assumiu moralmente, com o decreto, a responsabilidade de garantir condições de moradia para nós?, argumentou.Melo move uma ação contra a Shell por danos materiais e não vendeu sua propriedade à empresa porque não concordou com o valor oferecido. Segundo ele, a Shell propôs R$ 165 mil, mas ele quer R$ 450 mil. ?Se a Shell não concordar, vai prevalecer a ação?, afirmou. Os outros dois proprietários não querem deixar o bairro por motivos pessoais. Um deles possui uma empresa dentro de sua propriedade e resiste a transferi-la.A assessoria de imprensa afirmou que a Prefeitura vai propor à Shell alugar casas para os três proprietários, inclusive um galpão para a empresa de um deles. Informou também que a Prefeitura não poderá pagar os aluguéis.A Shell informou nesta sexta que não recebeu nenhuma proposta nesse sentido, mas que está aberta às negociações de compra dos imóveis e tem interesse em que elas ocorram rapidamente. De acordo com a assessoria, a Prefeitura vai aguardar até o início da próxima semana, quando terminam as negociações entre a Shell e os moradores remanescentes do bairro, para tomar novas decisões.

Agencia Estado,

21 de fevereiro de 2003 | 16h38

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