Itália tenta decidir sobre uso de embriões

A Itália entra na última semana de campanha para o referendo sobre a lei de reprodução assistida, que há semanas vem gerando uma grande polêmica e divide até militantes do mesmo partido. O que está em jogo é saber se os embriões podem ser usados na pesquisa científica, como ocorre com as células-tronco.O uso de embriões é proibido pela lei que está em vigor hoje.As urnas estarão abertas o dia inteiro neste domingo, 12 de junho, e na segunda-feira de manhã para que os cidadãos possam dar sua opinião sobre quatro perguntas ligadas à lei aprovada em fevereiro de 2004 pelo Parlamento italiano.A lei gerou um grande debate e profundas divergências entre os partidos até que vários deles, de esquerda, junto com várias ONGs, promoveram uma campanha com a intenção de recolher assinaturas para reformar a lei por meio de um referendo.Limite de embriõesTambém será votada a manutenção do limite legal de embriões para uma fecundação, que hoje é de três por mulher, e a exigência de implantar todos eles simultaneamente no óvulo.Outra questão se refere à anulação da lei que equipara os direitos jurídicos do embrião aos de uma pessoa já nascida. A quarta pergunta é se casais estéreis que querem ter filho podem ter o direito de usar óvulos ou espermatozóides de outros casais.Embora os progressistas, de maneira geral, apóiem a reforma da lei e os conservadores queiram sua manutenção, há opiniões divergentes dentro dos partidos.DivisãoEntre os conservadores, vários membros do governo devem votar para reformar alguns pontos em discussão, como os ministros do Exterior, Gianfranco Fini, da Defesa, Antonio Martino, e da Igualdade de Oportunidades, Stefania Prestigiacomo.O simples fato de as leis irem à votação já é criticado por alguns setores que defendem a manutenção da lei, porque, para o referendo ser validado, devem comparecer às urnas a metade dos eleitores mais um.A abstenção é a ação recomendada por aqueles que não querem mudanças, como a Conferência Episcopal da Itália, que divulgou um comunicado pedindo a abstenção, apoiado há poucos dias pelo papa Bento XVI.Católicos progressistasA maioria dos partidários de centro-esquerda incentiva que a população vá às urnas e vote pela mudança, à exceção de alguns católicos que fazem parte da coalizão progressista.Francesco Rutelli, ex-líder da coalizão de centro-esquerda e candidato à presidência em 2001, disse que vai se abster, e a ex-ministra de Saúde daquela coalizão, Rosa Bindy, votará "não" em todas as perguntas.O debate tem uma vertente judicial porque o Partido Radical, que apóia o referendo, apresentou um pedido para que a RAI - emissora de televisão estatal - aborde mais as diferentes posições sobre a lei da reprodução assistida.   leia mais sobre células-tronco

Agencia Estado,

08 de junho de 2005 | 11h43

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