Já existe kit para eutanásia, diz especialista

Apesar de legal na Holanda, a eutanásia não é um produto de exportação, defendeu nesta quinta-feira o professor da Universidade de Utrecht, Hans van Delden, em palestra no 6º Congresso Mundial de Bioética que ocorre até o próxuimo domingo em Brasília.Durante o 6º Congresso Mundial de Bioética, Margaret Battin, da Universidade de Utah, revelou que profissionais de saúde estão desenvolvendo métodos alternativos de morte assistida nos Estados Unidos, onde somente o Estado de Oregon admite a prática da eutanásia.?Os anjos da morte estão atuando sob o nariz das autoridades?, disse Margaret. Os métodos empregados, segundo ela, são rápidos e indolores. Segundo ela, já se encontra à venda um kit por US$ 40 para os interessados. Entre os apetrechos, um simples saco plástico acoplado a sondas desoxigenadoras, por onde também podem ser administrados gases como o hélio.Em meio à discussão surge a preocupação de que instituições e governo prefiram poupar custos, fazendo pessoas morrerem mais cedo. ?Não gostaria de ver a eutanásia como alternativa a sistemas de saúde deficientes?, diz Delden.Já na opinião de Margaret, há muitos pobres que estão morrendo em circunstâncias terríveis. ?Seria perverso não assisti-los.? Para o australiano Peter Singer, que também participou do congresso, a África não tem recursos suficientes para tratar os pacientes com aids. Ele defende a morte assistida para esses casos de ausência de tratamento e também para doentes terminais, maduros e conscientes da opção que estão fazendo.Numa perspectiva utilitarista, diz, não se deve contrariar o desejo da pessoa e deixá-la sofrer desnecessariamente. Na Holanda, a eutanásia é legal para casos de doentes incuráveis, que sofrem dores extremas e estão conscientes do pedido que fazem ao médico. O caso precisa ser reavaliado por uma comissão independente.Delden ressalta ser necessário observar com cuidado os casos de pessoas deprimidas. Ele conta que uma mulher doente, de 67 anos, desistiu da eutanásia depois de tirar três semanas de férias.

Agencia Estado,

31 de outubro de 2002 | 20h57

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.