Jaguatirica que invadiu casa ganha liberdade em Iperó

Antonio Terciani nunca poderia sonhar com isso. Mas, quando foi ao banheiro, lá estava ela: uma jaguatirica fêmea adulta. Os bombeiros, chamados ao bairro Monte Líbano, no município de Araçoiaba da Serra, região de Sorocaba, dizem que a jaguatirica estava acuada, mais assustada que o dono da chácara. Eles tiveram que disparar dardos com sedativos para conseguir capturá-la. Hoje, ela foi solta no fim da tarde, na Floresta Nacional de Ipanema, em Iperó. O felino embrenhou-se na mata tão logo o viveiro em que tinha sido transportado foi aberto pelos biólogos e funcionários do Ibama, que participaram da soltura. De hábitos noturnos, a jaguatirica vive entre 15 e 20 anos. "O anoitecer", explica o biólogo Luciano Regalado, analista ambiental do Ibama, "é o horário ideal de soltura, porque permite que o animal faça o reconhecimento da área." A jaguatirica de 10,4 quilos tinha passado por avaliação médica no Parque Zoológico Municipal Quinzinho de Barros, em Sorocaba, para onde foi levada pelos bombeiros. E foi marcada por uma tatuagem na pata posterior esquerda, que permitirá a identificação em trabalhos de monitoramento de fauna. Regalado considera provável que essa jaguatirica tenha saído da própria mata da Floresta Nacional. Não há estudos que apontem o real motivo de um animal deixar a mata para procurar alimento fora do seu habitat, segundo ele. "Há apenas hipóteses para isso: redução de alimentos, em conseqüência da redução do habitat; ou a facilidade de captura de animais que estão presos e não exigem que o felino gaste energia para caçar, como teria que fazer na floresta".

Agencia Estado,

23 de abril de 2004 | 18h15

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