Japão investe US$ 2,5 mi na preservação do cerrado brasileiro

O Brasil receberá com doação de equipamentos e assistência técnica, equivalente a US$ 2,5 milhões, do governo japonês para um projeto de preservação do cerrado. Em parceria, os dois países investirão na criação do corredor ecológico Paranã-Pirineus, uma área de 10 milhões de hectares, correspondente à metade do território japonês.O cerrado é a maior e mais rica savana do mundo, informa o coordenador-geral do projeto do corredor, Moacir Bueno Arruda, que é da diretoria de Ecossistemas do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Ele estima que o cerrado já tenha perdido 80% de sua vegetação original, e é o segundo ecossistema mais degradado no País, perdendo apenas para a mata atlântica.Um dos representantes da missão da Agência de Cooperação Internacional do Japão (Jica), Asano Koji, explicou que o governo japonês tem apoiado projetos de desenvolvimento sustentável e de preservação do meio ambiente em vários países, entre eles Indonésia e África. O país também é um dos maiores financiadores do PPG-7, o Programa Piloto de Proteção de Florestas Tropicais. Koji acrescentou que o acordo de cooperação para a preservação do cerrado está dentro desta política.A criação de corredor ecológico é um novo conceito de proteção do meio ambiente que o Ibama vem adotando. O corredor é uma faixa de cobertura vegetal que interliga fragmentos de florestas entre si ou a unidades de conservação, garantindo assim a livre circulação das espécies. Arruda explica que sem essa "conectividade", a biodiversidade de uma área acaba empobrecendo e as chances de sobrevivência das espécies seriam menores. No País existem outros 20 corredores ecológicos. O de Paranã-Pirineus cortará os Estados de Goiás e Tocantins, e também o Distrito Federal. O projeto atuará em três frentes - a da conservação da biodiversidade, a da implementação de tecnologias sustentáveis e a da distribuição das riquezas geradas a partir da exploração de recursos naturais. Mambaí (TO), município com baixos indicadores sociais, será um dos beneficiados com a proposta de preservar o cerrado e, ao mesmo tempo, garantir à população local fontes de renda.O ecoturismo - a região é rica em cavernas - e o extrativismo vegetal são alternativas econômicas em estudo. Segundo Arruda, o cerrado possui uma quantidade enorme de produtos nativos, como o pequi, que é usado em comidas e licores; o baru, semelhante ao amendoim; e a caguaita, fruta com propriedades medicinais. Essas plantas são nativas, dispensam grandes investimentos. "Rende mais dinheiro do que uma roça de arroz, feijão e milho", garante Arruda. Um pote de 250 gramas de pequi em conserva custa, em média, R$ 9,00.

Agencia Estado,

31 de julho de 2002 | 18h20

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