Hiromitsu Nakauchi/Universidade de Tóquio/Divulgação
Hiromitsu Nakauchi/Universidade de Tóquio/Divulgação

Japão passa a permitir embriões híbridos entre humanos e animais

País é o primeiro a aprovar medida que libera desenvolvimento completo, até o nascimento; OMS é contra 'mistura' entre as espécies

Redação, O Estado de S.Paulo

01 de agosto de 2019 | 16h58

O Ministério da Ciência do Japão permitiu, a partir desta quinta-feira, 1º, o nascimento de embriões híbridos de humanos e animais para a criação de órgãos humanos. O país é o primeiro a aprovar uma medida deste gênero, que libera o desenvolvimento do embrião até o seu nascimento propriamente dito. 

Em março, o Japão já havia suspendido a proibição ao desenvolvimento de embriões híbridos de humanos e animais, além de ter colocado fim ao impedimento de transplantar órgãos desenvolvidos em embriões de animais para outros animais.

De acordo com a agência de notícias alemã Deutsche Welle, na Universidade de Tóquio, o pesquisador Hiromitsu Nakauchi tem cultivado células-tronco humanas em embriões de camundongos, ratos e porcos, para depois transplantar esse embrião em outro animal. 

A partir desta técnica, o pesquisador espera desenvolver órgãos humanos completos que podem ser usados em transplantes. 

Apesar do sinal verde do Ministério da Ciência, os projetos devem ser detalhados para, em seguida, receberem o aval da pasta para que saiam do papel. 

O que diz a OMS

Em contrapartida, na última sexta-feira, 26, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou, em uma recomendação ao diretor-geral do órgão, o etíope Tedros Adhanom Ghebreyesus, que, provisoriamente, "seria irresponsável continuar com os estudos de aplicações de genomas na linha germinativa humana". 

"A edição do genoma da linha germinativa humana apresenta desafios éticos e técnicos únicos e sem precedentes. As autoridades reguladoras de todos os países não devem permitir nenhum trabalho adicional nessa área até que suas implicações sejam devidamente consideradas”, disse Ghebreyesus. 

No comunicado, a OMS aconselha ainda que as autoridades reguladoras ou de ética se abstenham de emitir aprovações relativas a pedidos de aplicações clínicas para trabalhos deste gênero. /COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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