Japão prepara missão para recolher amostra de asteróide

Após o lançamento dos seus primeiros satélites espiões, o Japão prepara uma missão mais ambiciosa e menos controversa:trazer para a Terra as primeiras pedras espaciais desde a recolha de amostras da Lua há mais de 30 anos."Esta é de longe a nossa missão mais complexa até agora", disse Junichiro Kawaguchi, que dirige esta missão do Instituto da Ciência Espacial e Astronáutica do Japão. "Há muitas dificuldades que poderão contrariar a possibilidades de êxito".O alvo da missão é um corpo celeste muito menor e muito mais distante do que a Lua. Se tudo correr bem, segundo Kawaguchi, a sonda não- tripulada Muses-C terá três contatos de um segundo com o pequeno asteróide 1998 SF36, localizado a290 milhões de quilômetros da Terra, e trará de volta cerca de um grama da sua superfície.Este vôo da Muses será a primeira viagem de ida e volta de todas a um asteróide. Em 2001, uma sonda da Nasa recolheu durante duas semanas dados da superfície do asteróide Eros, mas não trouxe para a Terra amostras físicas."Nenhuma sonda trouxe amostras extraterrestres para a Terra desde o programa Apollo" no fim dos anos 60 e princípios dos 70, disse Kawaguchi. Os cientistas espaciais japoneses estão encorajados com o êxito de cinco lançamentos consecutivos da sua nave espacial H-2A, que esperam poder tornar-se comercialmente competitivo como veículo de lançamento.O último H-2A, lançado para o espaço em março, colocou dois satélites em órbita. Mas o lançamento da Muses-C, previsto para 09 de maio de uma ilha do sul do Japão, constituirá a primeira missão de exploração espacial do Japão em mais de três anos.Os planejadores da missão pretendem recolher amostras da superfície do asteróide em junho de 2005 e lançá-las de pára- quedas dois anos mais tarde numa cápsula de reentrada nos arredores da cidade de Woomera, no sul da Austrália.Pouco se sabe sobre asteróides. O alvo da Muses, semelhante a uma grande bola de rugbi com 690 metros de comprimento e 300 metros de largura, tem uma gravitação cem mil vezes menorque a da terra.Embora sejam precisos cerca de dois anos para a Muses-C lá chegar, trata-se, além da Lua, de um dos vizinhos mais próximos da Terra. A primeira tarefa da sonda será observar o asteróide durante três meses com câmaras e equipamento infravermelho de uma altitude de cerca de 19 quilômetros.Aproximar-se-á o suficiente para disparar uma pequena bala contra o asteróide e recolher os fragmentos resultantes num engenho semelhante a um funil. Não regressará à Terra com muito peso: a quantidade que os responsáveis da missão esperar obter mal chegará para encher uma colher de chá."As pessoas perguntam porquê só um grama", disse Kawaguchi."Para nós, é muito. É o bastante para testes e análises". Um orientador de alvo do tamanho e forma de uma laranja guiará a sonda até ao seu local de recolha de amostras.Para tornar mais conhecido o programa espacial japonês foi realizada pela Internet uma campanha de recolha de nomes para enviar para o espaço com a sonda.Embora não tenha sido alcançado o objetivo de reunir um milhão de nomes, 877.490 foram inscritos numa lâmina de alumínio que envolve o orientador de alvo.Quase metade deles são norte-americanos e cerca de 40% são japoneses, segundo a Sociedade Planetária Japonesa, que patrocinou a campanha.

Agencia Estado,

05 de maio de 2003 | 10h00

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