Japoneses programam célula-tronco sem usar gene do câncer

Equipe reprogramou células adultas como células-tronco sem usar um gene envoolvido em tumores

EFE,

30 de novembro de 2007 | 19h40

A equipe de cientistas japoneses que na semana passada desenvolveu, a partir da pele humana, um protótipo de célula semelhante às células-tronco demonstrou agora que é capaz de reprogramar as células sem necessidade de genes que podem levar ao surgimento de tumores.    Transformação de células  Cientistas transformam células humanas em células-tronco   De forma simultânea, mas independente, dois grupos de pesquisadores, um da Universidade de Kyoto e outro da de Wisconsin, conseguiram criar uma linhagem de células-tronco embrionárias a partir de fibroblastos da pele humana, o que pode levar ao fim dos todos os problemas éticos existentes na utilização de embriões ou óvulos humanos.   A equipe japonesa, dirigida por Shinya Yamanaka, conseguiu criar uma linhagem de células-tronco a partir de 5 mil células da pele, o que representa uma maior eficiência que a equipe americana, que precisou de 10 mil células para reprogramar apenas uma.   No entanto, os cientistas liderados por James Thomson não utilizaram nenhum oncogene - gene causador do câncer - em seu grupo de quatro genes reprogramadores, enquanto os japoneses empregaram o oncogene Myc, que pode levar ao desenvolvimento de um tumor.   Segundo um artigo publicado na revista científica britânica Nature, a equipe da Universidade de Tóquio conseguiu eliminar de seu grupo de genes reguladores da transcrição o oncogene Myc, o que é considerado um passo fundamental para a futura aplicação destas células em pacientes.   O método de reprogramação apresentado agora funciona a partir da introdução, empregando como vetor um retrovírus, de três genes específicos - Oct4, Sox2 e Klf4 - em vez de quatro - os anteriores mais o Myc -, capazes de controlar a atividade genética, o desenvolvimento e a identidade das células-tronco embrionárias.   Com isso, e sem a necessidade do oncogene, os cientistas conseguiram obter um modelo de célula com propriedades regenerativas, capaz de criar tecidos de cerca de 220 tipos celulares diferentes do ser humano.   Para determinar até que ponto a ausência do Myc reduz a propensão a desenvolver tumores, os autores injetaram células com e sem o oncogene em ratos.   Assim, descobriram que nenhum dos 26 animais com células reprogramadas sem o oncogene Myc morreu por causa de câncer após cem dias, enquanto seis dos 37 que receberam as células reprogramadas com quatro genes faleceram.

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