Jericoacoara vira parque nacional

Jericoacoara já é parque nacional. O presidente Fernando Henrique Cardoso assinou nesta semana decreto criando o Parque Nacional de Jericoacora. A nova unidade de conservação tem 8.416 hectares, incluindo terras dos municípios cearenses de Cruz e Jijoca, a 255 e 289 quilômetros de Fortaleza, respectivamente. "O equilíbrio ecológico da área encontra-se ameaçado devido a atividades de pesca predatória, turismo e ocupação desordendos", justificou o ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho. O local, um dos principais destinos turísticos do Ceará, era classificado como Área de Proteção Ambiental (APA) desde 1984, com 6.443 hectares. A nova classificação é muito mais restritiva, pois não permite propriedades particulares ou qualquer tipo de exploração extrativista. O parque abrange oito ecossistemas, incluindo as famosas dunas de Jericoacoara, lagoas e manguezais. O decreto estabelece uma faixa de 1 quilômetro de largura e 21 quilômetros de comprimento, paralela à linha costeira, que forma a zona de proteção costeira. Segundo o superintendente regional do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Romeu Aldigheri, o parque ganhará plano de manejo, trilhas de aproveitamento turístico, além de sinalização turística, que deverão ser inaugurados no próximo mês durante a reunião anual dos governadores do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que ocorrerá em Fortaleza entre os dias 7 e 13. O presidente Fernando Henrique Cardoso deverá comparecer ao evento. A vila de Jericoacoara fica fora da nova classificação. Segundo Aldigheri, a comunidade ganhará um plano diretor de desenvolvimento sustentável como forma de brecar a especulação imobiliária na área, que, inclusive, está se acentuando. Para muitos moradores, a criação do parque é apenas uma maneira de desviar a atenção de uma Instrução Normativa do Ibama que mudou as normas de ocupação do solo na vila no ano passado. O tema mais polêmico foi a liberação da construção de novos hotéis e pousadas, proibida desde 1992, e a elevação do limite de altura das construções, de um para dois pavimentos. Segundo cálculos da comunidade, a mudança poderá elevar a oferta de leitos na vila de 866 para quase 14 mil. Rio - Paisagens como o Pão de Açúcar, os Morros da Urca e Cara de Cão, o Parque Nacional da Tijuca e o Jardim Botânico sustentam pedido de reconhecimento do Rio como patrimônio da humanidade. A proposta dos ministérios do Meio Ambiente e da Cultura já foi encaminhada à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). O secretário do Ministério do Meio Ambiente, José Pedro Costa, estima que até julho de 2003, o Rio poderá transformar-se no mais novo patrimônio da humanidade. Costa acha justa a candidatura carioca, já que Salvador e Brasília (primeira e atual capital do País, respectivamente) já possuem essa denominação. (Colaboraram Herton Escobar e Sandra Sato)

Agencia Estado,

07 de fevereiro de 2002 | 09h44

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.