Reuters
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Jovem cobre ombros do papa com lenço palestino

Kafiah só foi retirado depois de alguns minutos de conversa entre Bento XVI e os dois jovens palestinos

Efe,

22 de abril de 2009 | 17h05

Uma jovem que nesta quarta-feira, 22, assistiu à audiência pública das quartas-feiras na Praça de São Pedro, no Vaticano, cobriu os ombros do papa Bento XVI com um lenço palestino (kafiah), só retirado depois de alguns minutos de conversa com a moça e o jovem que a acompanhava.

 

O fato aconteceu no fim da audiência, quando Bento XVI costuma cumprimentar os vários presentes, como cardeais, arcebispos, bispos, sacerdotes, personalidades da política e da cultura, recém-casados e o público em geral.

 

Entre as pessoas de quem o papa se aproximou estavam a moça que lhe colocou o lenço e seu acompanhante, ambos vindos de Belém, território sob controle da Autoridade Nacional Palestina (ANP).

 

Os dois faziam parte de uma caravana de 27 pessoas que veio da paróquia Campo dos Pastores, informou o Vaticano.

 

Ambos os jovens, escolhidos pelo seu grupo para saudar o papa, entregaram ao Pontífice um envelope e, enquanto falavam com ele, a moça colocou nos ombros de Bento XVI o lenço palestino preto e branco que seu acompanhante usava.

 

Apesar do gesto, o papa continuou conversando com a dupla. Pouco depois, seu secretário particular, Georg Gaenswein, tirou o lenço das costas do Pontífice.

 

Bento XVI viajará à Terra Santa no próximo dia 8. Além de Belém, o papa visitará um campo de refugiados palestinos próximo à cidade, entre outras localidades.

 

Durante a audiência desta quarta-feira, o papa Bento XVI disse que a atual crise econômica é a prova de que a cobiça e a avidez são a raiz de todos os vícios e de todos os males, tanto para as pessoas como para a sociedade.

 

A afirmação do Pontífice foi feita às cerca de 40 mil pessoas que estavam na Praça de São Pedro.

 

Durante seu sermão, Bento XVI comentou a vida e a obra do monge Ambrosio Autperto, morto no ano 784 e que, além de mentor do imperador Carlos Magno, foi autor de um livro sobre os vícios.

 

Fazendo menção ao livro Conflictus, de Autperto, o papa disse que aqueles que têm avidez acham que "ter" é o mais importante valor do ser humano, junto com as falsas aparências. Ainda segundo o Pontífice, tudo isso destrói o mundo.

 

"A avidez é a raiz de todo o mal. Todos os vícios do homem provêm de uma única raiz, da cobiça, e podemos ver isso atualmente. A crise econômica mundial que vivemos mostra que tem sua raiz na avidez", afirmou Bento XVI.

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