Jovens querem participar da Rio+10

A adolescente Ísis Lima Soares, do grupo paulista de crianças e jovens, chamado "Cala Boca Já Morreu", formalizou hoje ,durante a coletiva à imprensa, no prédio do Itamarati, no Rio de Janeiro, um pedido para participar da Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+10), em Joanesburgo, na África do Sul. Ela já havia feito o pedido informalmente, ontem, durante o jantar das autoridades presentes à Rio+10 Brasil, e foi convidada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso paraintegrar a comitiva brasileira."O jovem tem mais que participar das discussões e decisões políticas, de tudo o que diz respeito à nossa qualidade de vida, que nós estaremos no poder e comandando a sociedade civil daqui a alguns anos", declarou Ísis. "Temos que ser agentes transformadores da realidade, porque a sociedade atual não estáagradando, nem a nós nem a ninguém".Ísis é filha de um professor de Filosofia e uma psicopedagoga, que trabalham com assessoria educacional voltada para a comunicação. Em 1995, foi uma das crianças fundadoras do grupo "Cala Boca Já Morreu", na época constituído por 10 membros, com idades variando entre 7 e 12 anos, que faziam umprograma de rádio numa emissora comunitária, no bairro Butantan, da capital paulista. Hoje o grupo tem 20 crianças e jovens, de 7 a 16 anos, e faz umprograma em outra rádio comunitária, do bairro Quitaúna, de Osasco. Eles tratam principalmente das relações entre meio ambiente e saúde, "entendido como algo mais amplo, de condições de vida mesmo", diz.No mesmo evento, no Itamarati, o presidente Fernando Henrique Cardoso recebeu a primeira cópia ? uma prova ainda ? da Agenda 21 Brasileira, entregue pelo ministro do Meio Ambiente, José Carlos Carvalho. Segundo o ministro, o lançamento formal do documento será feito dentro de duas semanas, consolidando um processo de consulta de mais de 4 anos, com a participação de mais de 40 mil pessoas. "Provavelmente foi um dos processos de planejamento participativo mais intenso, que o Brasil fez nos últimos anos recentes, e registra tudo aquilo que nós captamos, ou seja, não é um documento-governo, mas reflete a opinião média da sociedade brasileira s obre os rumos que deseja para o futuro", comentou José Carlos Carvalho. Participaram da elaboração da Agenda 21 Brasileira diversas organizações não governamentais ambientalistas, associações de classe, movimentos sociais, autoridades de governos municipais etc. Para o ministro, "o documento será uma referência para orientar a posição brasileira em relação ao desenvolvimento sustentável e a proteção ao meio ambiente, daqui para a frente".

Agencia Estado,

24 de junho de 2002 | 18h51

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