Judeus dizem ao Vaticano que negação do Holocausto é crime

'A negação do Shoah não é uma opinião, mas um crime', disse o presidente da organização franco-judaica CRIF

Philip Pullella , Reuters

09 de fevereiro de 2009 | 18h26

Líderes judeus disseram a autoridades do Vaticano que a negação do Holocausto "não foi uma opinião mas um crime" durante reunião nesta segunda-feira, 9, para discutir sobre um bispo que eles acusam de ser antissemita.  Veja também:  Perguntas e respostas: A polêmica do bispo que nega o Holocausto Vídeo: A polêmica entrevista do bispo WilliamsonBispo que negou holocausto é retirado do cargo na Argentina Bispo diz que não vai retirar negação de HolocaustoVaticano pede que bispo que negou Holocausto se retratePapa divide Vaticano ao reabilitar bispo que nega o HolocaustoBlog de Richard Williamson   Os encontros, os primeiros desde a controvérsia envolvendo o bispo Richard Williamson, que nega a amplitude do Holocausto, começaram no mês passado, e ocorreram três dias antes de o papa Bento XVI discursar para um grupo de líderes judeus norte-americanos.  Williamson disse em entrevista à televisão sueca, em janeiro: "Eu acredito que não existiram câmaras de gás." Ele afirmou ainda que não mais que 300.000 judeus morreram em campos de concentração nazistas, em vez dos 6 milhões estimados por historiadores.  "Hoje nós reafirmamos que a negação do Shoah não é uma opinião, mas um crime", disse Richard Prasquier, presidente da organização franco-judaica CRIF, usando a palavra em hebraico para Holocausto.  Prasquier e Maram Stern, vice-secretário do Congresso Mundial Judaico (WJC, na sigla em inglês), conversaram com o cardeal Walter Kasper, chefe do escritório do Vaticano para relações com os judeus.  "Nós queremos que o Vaticano perceba que acomodando antissemitas como Williamson, os feitos de quatro décadas de diálogo entre católicos e judeus estarão postos em dúvida", disse em comunicado o presidente do WJC Ronald Lauder.  "Nós agora acreditamos que nossa mensagem foi entendida. O polêmico debate das últimas três semanas teve um impacto positivo", disse Lauder, que não participou das reuniões.  As relações entre católicos e judeus ficaram tensas desde o dia 24 de janeiro, quando o papa Bento XVI revogou as excomungações de quatro bispos tradicionalistas.  Entre os que condenaram Williamson e a decisão do papa estão sobreviventes do Holocausto, católicos progressistas, legisladores norte-americanos, líderes israelenses, a chanceler alemã Angela Merkel e o escritor judeu e vencedor do prêmio Novel da Paz Elie Wiesel.  Uma fonte da Igreja disse que o chefe do rabinato de Israel, que interrompeu os diálogos, decidiu restabelecer as conversas e visitará o Vaticano no final de fevereiro ou no meio de março.  O Vaticano ordenou Williamson a se retratar publicamente. Durante o fim de semana, líderes tradicionalistas disseram que ele havia sido afastado como diretor de um seminário na Argentina.

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