Justiça pede prisão preventiva de "rei do mogno" no PA

O "rei do mogno" na Amazônia, o madeireiro Osmar Alves Ferreira, foi denunciado nesta sexta-feira à Justiça pelo promotor Mauro Mendes de Almeida, que também pediu sua prisão preventiva. As acusações são de furto qualificado, invasão de terra (esbulho possessório), formação de quadrilha e crime ambiental.Ferreira, segundo o promotor, lidera a extração ilegal de mogno de terras indígenas e na região conhecida por Terra do Meio, entre os municípios de Altamira e São Félix do Xingu, no sudoeste do Pará.Prisão preventiva Outros 11 madeireiros ligados a Ferreira também foram denunciados há 15 dias pelo promotor e estão com pedido de prisão preventiva na Justiça de Altamira. "O denunciado há muito tempo vem destruindo a Amazônia, principalmente pela exploração de mogno, construindo um império de diversas atividades, utilizando-se de meios fraudulentos para enriquecer ilicitamente", afirma Almeida no pedido de prisão. A exportação do mogno por Ferreira, acrescenta o promotor, traz para ele fortuna em detrimento das comunidades indígenas, que têm suas terras invadidas por uma atividade ilícita e cujo saldo é um "rastro de corrupção, devastação e prostituição".Venda para o exterior Segundo relatório publicado em outubro de 2001 pelo movimento ambientalista Greenpeace, o madeireiro controla 80% das exportações do mogno brasileiro para os Estados Unidos e Europa por meio de suas cinco empresas, Peracchi, Tapajós, Semasa, Juary e Jatobá. A compra desse mogno no exterior é controlada pelas empresas Aijoma Lumber, DLH Nordisk, J. Gibson Mcllvain Co. Ltd e Intercontinental Hardwoods Inc, que abastecem Estados Unidos, Inglaterra, Holanda, Alemanha e República Dominicana, no Caribe.Invasão Em setembro do ano passado, herdeiros de Raimundo Ciro de Moura e de Maria Neto de Moura ingressaram na Justiça com ação de interdito proibitório contra a Madeireira Ferreira Ltda, pertencente a Osmar Ferreira, informando que o acusado e outros 11 madeireiros invadiram a Fazenda Seringal Monte Alegre, localizada às margens do Rio Xingu, em Altamira. Dentro da fazenda, eles promoveram desmatamento da floresta, furto de madeiras de lei, caça ilegal de animais silvestres, pesca predatória, construção de estradas e pistas de pouso clandestinas, além de pontes, "tudo para facilitar o escoamento de bens de reconhecida proteção ambiental", diz Almeida.Quadrilha O promotor ressalta que a quadrilha, cujo pedido de prisão está sendo analisado pela juíza de Altamira, Márcia Leão Murrieta, montou um "verdadeiro arsenal de guerra" para a extração de mogno, utilizando uma legião de trabalhadores que viviam sendo explorados na floresta em regime de semi-escravidão.Entre os bens apreendidos dos madeireiros, durante operação do Ibama e da Polícia Federal, estão 38 veículos, uma balsa e dois aviões. Osmar Ferreira chegava a acompanhar pessoalmente a retirada de mogno comandada por seus prepostos conhecidos por Chicão e Dito. Além do rei do mogno, estão com pedido de prisão preventiva os madeireiros Adnaldo Cabral Cunha, Meire Cabral, Edson Freire, Rivaldo Honostório, Clainor Scalabrin, Renildo Zucatelli, Wander Bernardes de Freitas, Almir Nunes Gomes, Abdon Lustosa Neto, Francisco Xavier Ferreira e Francisco Domingos dos Santos. Nenhum deles foi encontrado para comentar a decisão do promotor Mauro Almeida. Em Redenção, no sul do Pará, onde mora Ferreira, um empregado de uma de suas serrarias disse que o acusado não estava naquela cidade, nem poderia informar onde ele se encontrava.

Agencia Estado,

22 de fevereiro de 2002 | 23h34

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