Kofi Annan convida FHC para integrar comissão da ONU

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Kofi Annan, convidou o presidente Fernando Henrique Cardoso para participar de um grupo de trabalho das Nações Unidas, depois de terminado o seu mandato. Em reunião durante a Cúpula Mundial sobre o Desenvolvimento Sustentável, Annan fez a oferta a Fernando Henrique, que pareceu entusiasmado, mas disse que antes disso vai precisar descansar um pouco."Annan agradeceu as propostas que o Brasil fez tanto na questão da biodiversidade como da energia", contou Fernando Henrique. "Ele disse que a liderança do Brasil foi que garantiu os avanços havido nesta reunião. E perguntou se eu estava disposto, quando terminar meu mandato, de participar de algum trabalho nas Nações Unidas", prosseguiu o presidente. "Eu disse a ele que vou ver depois. Naturalmente, me sinto muito honrado." Fernando Henrique explicou que não se trata de um cargo, "mas de um trabalho de tipo intelectual, não burocrático." O que o secretário-geral da ONU tem em mente é a formação de um grupo de estudos de alto nível para tratar de temas como a globalização e o desenvolvimento sustentável. Dele participariam também o ex-presidente mexicano Ernesto Zedillo e o economista indiano Amartya Sen.O presidente admitiu também que ficou frustrado com a derrota do Brasil em sua proposta de estabelecer uma meta de 10% para o uso de fontes renováveis de energia até 2010. Mas disse que mesmo que a meta não possa ter sido estabelecida no nível global, o Brasil seguirá trabalhando para que essas e outras propostas sejam implementadas no nível regional. "Outros países apóiam e estão dispostos a fazê-lo."Durante cerimônia de assinatura de convênio com o Banco Mundial e a organização ambientalista WWF no valor de US$ 82 milhões para a criação de unidades de conservação na Amazônia, o presidente criticou a falta de disposição dos países desenvolvidos de se comprometer com metas de promoção do desenvolvimento sustentável. O presidente disse que os países em desenvolvimento devem continuar fazendo a sua parte. "O exemplo dos países que não são mais ricos constrange os mais ricos e cria um sentimento que se não for de solidariedade é de vergonha".Fernando Henrique, acompanhado dos presidentes da Câmara, Aécio Neves, e do Senado, Ramez Tebet, embarcou no início da tarde de volta para Brasília, onde deve chegar na noite de hoje.

Agencia Estado,

03 de setembro de 2002 | 12h55

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.