Laboratório empoeirado e barulhento parece uma funilaria de ossos

Laboratório foi montado em 2005 para investigar e colecionar biodiversidade do passado

Herton Escobar,

13 Setembro 2010 | 23h59

O laboratório de paleontologia onde são preparados e estudados os fósseis do Tapuiassauro parece um híbrido de canteiro de obras com borracharia e funilaria. Nada que lembre um laboratório tradicional de química, física ou até mesmo de biologia. Há poeira de rocha por todos os lados e o trabalho flui ao ritmo barulhento de martelos, brocas e, vez ou outra, uma serra elétrica também.

Localizado nos fundos do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo, numa casinha separada do prédio histórico onde são guardadas as grandes coleções de biodiversidade do presente, o laboratório foi montado em 2005 para investigar e colecionar, também, a biodiversidade do passado.

É preciso cuidado para não pisar ou esbarrar nos blocos de pedra que se acumulam pelo chão e sobre as mesas. Dentro deles estão os ossos fossilizados de animais que viveram milhões de anos atrás. E, nesse caso, blocos de pedra merecem ser tratados como taças de cristal.

Alguns ossos estão mais intactos, outros bastante fragmentados. A rocha na qual os restos do Tapuiassauro foram fossilizados é do tipo sedimentar, formada pela compactação de sedimentos no subsolo ao longo de milhões de anos. Nesse processo, o osso também se torna "petrificado", e muitas vezes está tão mesclado ao sedimento que é preciso um olhar cirúrgico para distinguir e separar uma coisa da outra.

As peças mais frágeis costumam parar nas mãos cuidadosas da mestranda Rosely Rodrigues da Silva, que, assim como muitos jovens paleontólogos, teve a infância marcada pelo filme Jurassic Park, de 1993. "Tinha 10 anos quando vi em casa. Brincava que eu era a menina do filme; enterrava coisas no jardim e ficava desenterrando depois", conta Rosely. Hoje ela continua a brincar, só que com dinossauros de verdade.

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