Laboratório Roche nega supostos efeitos nocivos do Tamiflu

O laboratório suíço Roche garantiu hoje que seu remédio antiviral Tamiflu, usado no tratamento de pessoas contaminadas com a gripe aviária, tem "um bom nível de segurança", em resposta às informações divulgadas no Japão sobre os supostos efeitos nocivos do medicamento.A indústria farmacêutica lembrou que o antiviral foi utilizado por mais de 30 milhões de pessoas no mundo todo. Além disso, destacou que seus especialistas acompanham permanentemente a segurança do produto e informam sobre qualquer efeito adverso às autoridades reguladoras para sua avaliação.A Roche tem os direitos exclusivos para a produção do Tamiflu, que mostrou ser eficaz no tratamento das pessoas infectadas com o vírus da gripe aviária e que seria o primeiro medicamento disponível caso o vírus da doença animal sofra uma mutação genética e se torne capaz de transmitir-se de pessoa a pessoa.A Organização Mundial da Saúde (OMS) e os Governos de todo mundo temem essa possibilidade, que provavelmente provocaria uma pandemia de gripe humana de proporções imprevisíveis. De acordo com a organização sanitária, o vírus aviário contaminou, até o momento, 118 pessoas em Vietnã, Indonésia, Tailândia e Camboja, das quais 62 morreram.ExplicaçõesOs adolescentes mortos no Japão aparentemente sofreram perturbações mentais que os levaram à morte após ingerir o Tamiflu, publicou a imprensa japonesa.A Roche afirmou que "tais efeitos adversos devem ser considerados no contexto dos sintomas da gripe, que se caracteriza por febres altas, o que pode levar a complicações neurológicas, como convulsões ou perda da consciência, assim como problemas respiratórios que podem causar a morte".Vários países desenvolvidos armazenaram milhões de doses de Tamiflu. O objetivo é ter reservas capazes de cobrir as eventuais necessidades de 25% de suas populações. O remédio não está, do mesmo modo, ao alcance dos países pobres.Em recente conferência internacional sobre o tema realizada em Genebra, representantes dos países do sudeste asiático - onde se concentram por enquanto a gripe aviária e os casos de transmissão para o ser humano - pediram à comunidade internacional que garantam seu acesso ao Tamiflu. Também reivindicaram aos países ricos que não monopolizem as reservas do remédio.

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