Laicidade deve estar separada de anticlericalismo, diz Vaticano

'Igreja não pede privilégios, mas possibilidade de desenvolver sua missão', afirmou secretário de Estado

Ansa

10 de julho de 2008 | 17h53

O secretário de Estado do Vaticano, cardeal Tarcisio Bertone, disse nesta quinta-feira, 10, que a Igreja católica precisa de liberdade para desenvolver seus projetos. Durante a conferência sobre a Constituição italiana, em curso na capital Roma, Bertone defendeu os tratados que fundaram o Estado do Vaticano, em 1929, e criticou a confusão feita entre os conceitos de laicidade e anticlericalismo. "A Igreja católica não pede privilégios, mas só a possibilidade de desenvolver livremente a própria missão pastoral e social", afirmou o cardeal. Ao lembrar os princípios fundamentais da Constituição italiana, Bertone destacou como esta Carta atual "deve muito à cultura católica", conferindo uma laicidade fundamental ao Estado da Itália. "A experiência destes 60 anos mostra que, justamente graças aos Pactos Lateranenses (assinados entre o ditador fascista Benito Mussolini e a Igreja Católica), inseridos na Carta constitucional, foi possível uma proveitosa colaboração entre a Igreja e o Estado, em um clima de verdadeira laicidade, todos operando com o mesmo objetivo: promover o autêntico bem da Itália", disse Bertone. Segundo o cardeal, "não poucos pensadores expressam um conceito de laicidade aberta ao diálogo e ao confronto construtivo entre posições distintas". A essa idéia, o secretário de Estado do Vaticano contrapõe um "laicismo, (...) esse veiculado pela imprensa", conotado por um "critério de exclusão" do aspecto religioso. "E pelo contrário, a mais ampla e acertada discussão do problema da laicidade no âmbito internacional, continental e norte-americano, evidencia os limites do nosso laicismo. Na Itália, enfim, pelo menos para alguns, laicidade significa rejeitar o reconhecimento da importância social do fato religioso", explicou. "Existe a premissa, já 'descontada', da secularização como privatização da religião, que, no momento histórico de seu retorno a um protagonismo social e cultural, é acusada de invadir ilegitimamente a esfera publica. (...) A Constituição italiana é laica, mas não laicista. É interessante notar como na Itália foi preciso marcar esse binômio para distinguir a laicidade saudável daquela radical e anticlerical".

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