Laika morreu no lançamento

A cadela Laika, que deveria ser o primeiro ser vivo a entrar em órbita da Terra, em 2 de novembro de 1957, morreu poucas horas depois do lançamento e não após vários dias em órbita como afirmou por décadas a versão oficial russa.Em uma reportagem da rede estatal britânica BBC, especialistas indicaram que a cadela morreu por um choque e pelo esfriamento da nave que a transportava. Dimitri Malashenkov, do Instituto para Problemas Biológicos, em Moscou, disse, em Houston, onde acontece o Congresso Espacial Mundial, que o coração de Laika parou poucas horas depois do lançamento.Os sensores que monitoravam o biorritmo do animal detectaram, logo após o lançamento do Sputnik 2, uma severa arritmia cardíaca, causada por estresse. Além disso, logo após a partida da nave, a temperatura e a umidade na cápsula caíram rapidamente. Após cinco ou sete horas de permanência no espaço, os sensores deixaram de transmitir sinal de vida.Recolhida nas ruas de Moscou, Laika foi escolhida entre dez outros cachorros por ser calma e sociável. Durante o treinamento duríssimo, Laika teve que aprender a comer em um espaço reduzido, suportar vibração e a ausência de gravidade.A cachorra superou as provas e em 2 de novembro de 1957, entrou na nave em que foi lançada para o espaço, no cosmódromo de Baikonur, no Kasaquistão, sem que a cápsula estivesse preparada para a volta à Terra. Em 4 de abril de 1958, o Sputnik 2 se desintegrou ao entrar na atmosfera terrestre. Na época, a notícia que a cadela havia morrido queimada durante a reentrada na atmosfera, provocou comoção e críticas.Há cerca de quatro anos, o ex-diretor do programa soviético para envio de animais ao espaço no anos 50, Oleg Gazenlo, disse se arrenpender de ter enviado Laika ao espaço, condenando-a a uma morte certa. "A medida que passa o tempo, mais me parece que não deveríamos ter feito isso", disse, acrescentando que "dessa missão não aprendemos o suficiente para justificar a morte da cachorra." Em 1997, Laika ganhou finalmente uma lápide comemorativa no centro espacial de Koroliov.

Agencia Estado,

28 de outubro de 2002 | 16h52

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