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Lançamento aéreo de pesticida pode aumentar risco de autismo em crianças

Estudo realizado em Nova York mostra que nas áreas da cidade onde a prática é utilizada, o risco da doença é até 25% mais alto

Fábio de Castro, O Estado de S. Paulo

30 Abril 2016 | 10h00

Um estudo feito nos Estados Unidos revela que o uso de aviões para lançar pesticidas pode aumentar em 25% o risco de autismo entre crianças nascidas nas áreas próximas.

A pesquisa, liderada por Steven Hicks, da Universidade Penn State, foi apresentada no Encontro das Sociedades Acadêmicas Pediátricas, em Baltimore, nos Estados Unidos. Além do autismo, os cientistas também detectaram aumento do risco de atraso no desenvolvimento cerebral das crianças expostas à dispersão aérea de pesticidas.

Segundo os autores, a cada verão, desde 2003, as autoridades de saúde de Nova York usam aviões para lançar pesticidas piretroides - um dos tipos de inseticidas mais usados em agricultura -, sobre áreas alagadiças da cidade, a fim de combater mosquitos que transmitem o vírus da encefalite equina.

De acordo com Hicks, a dispersão dos pesticidas com aviões parece não ser uma boa alternativa: crianças nascidas nas áreas onde a prática é adotada têm chances 25% maiores de ter um diagnóstico de autismo, em comparação com as nascidas em outras áreas da cidade onde a distribuição de pesticidas é feita com outros métodos como a dispersão manual de grânulos.

Segundo Hicks, outros estudos já mostravam que a exposição a pesticidas poderia aumentar o risco de autismo e atraso do desenvolvimento. "Nossa descoberta mostra que a maneira como os pesticidas são aplicados podem alterar esse risco. Impedir as encefalites transmitidas por mosquitos é uma importante tarefa para os departamentos de saúde pública", disse Hicks.

O estudo recomenda que as autoridades determinem a mudança dos métodos de aplicação de pesticidas. "As comunidades que têm programas de pesticidas para ajudar no controle da população de mosquitos devem considerar maneiras de reduzir a exposição de crianças a essas substâncias, incluindo a aplicação com métodos alternativos", declarou Hicks.

Para realizar o estudo, os cientistas identificaram as crianças pelo código postal. Em um centro de referência, eles obtiveram os dados sobre o número de crianças autistas e com problemas de atraso do desenvolvimento em áreas correspondentes a 24 códigos postais do centro de Nova York, entre março de 2010 e março de 2015.

Dados dos relatórios públicos do Departamento de Conservação Ambiental da cidade foram utilizados para quantificar a exposição aos pesticidas nas 24 áreas. O Levantamento Comunitário Americano de 2013 foi usado para quantificar os dados demográficos. Os dados de oito áreas postais expostas anualmente à dispersão de pesticidas por aviões foram comparados aos dados de outras 16 áreas.

Não houve diferenças significativas, entre as áreas com distribuição de pesticidas por aviões e por outros métodos, no número de crianças, de nascimentos, de partos prematuros, no nível de pobreza, nem no sexo das crianças.

 

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