Legislativos estaduais dos EUA debatem clonagem

A filha de nove anos de idade de Denny Bass é diabética, como também a filha de Darell Hicks, que tem cinco anos. Mas os dois homens estão em lados opostos no debate sobre a utilização de embriões humanos clonados em pesquisas de células-tronco.Os cientistas acreditam que tais pesquisas podem ajudar a encontrar uma cura para a diabete e outras doenças. Mas a Louisiana está a ponto de tornar-se os sexto estado norte-americano a proibir toda e qualquer clonagem humana ? impedir não apenas a clonagem reprodutiva, mas também aquela feita com o objetivo de tratar enfermidades.?Poucas pessoas que têm filhos diabéticos irão concordar com minha opinião?, afirmou Hicks, um ex-batista convertido ao catolicismo que acredita que destruir embriões para obter células-tronco é algo imoral.Já Bass, que pensa que a solução para o ritual de injeções de insulina pelo qual sua filha tem que passar diariamente pode estar no avanço da ciência, está insatisfeito com o pesado tom religioso que vem marcando o debate. ?Não sou católico, e o que está acontecendo é que a Igreja Católica quer ditar a maneira como eu devo cuidar da minha filha e eles estão usando a religião para isso?, disse.A proposta de proibir as clonagens tem o apoio de duas das principais forças políticas do estado da Louisiana: os conservadores cristãos dos subúrbios das maiores cidades e do norte rural, e os católicos de Nova Orleans e do sudoeste do estado, de arraigadas tradições herdadas da colonização francesa. Caso o projeto seja aprovado, o estado sulista irá juntar-se aos outros cinco que já adotam medidas tão restritivas: Arkansas, Iowa, Michigan, Dakota do Norte e Dakota do Sul. Nove estados proíbem a clonagem com fins reprodutivos - Arkansas, Califórnia, Iowa, Michigan, New Jersey, Rhode Island, Virgínia e as Dakota do Norte e do Sul. No próximo mês de novembro, os eleitores da Califórnia decidirão se apóiam ou não a criação de um fundo que disponibilizará US$ 3 bilhões para pesquisas com células-tronco, o que equivaleria a permitir, explicitamente, a clonagem de embriões para o tratamento de doenças. Uma proposta de lei que proibia todas as formas de clonagem nos EUA foi recentemente rejeitada no Legislativo Federal.A morte do ex-presidente Ronald Reagan, vítima do Mal de Alzheimer desde 1994, na semana passada, contribuiu para recolocar o tema sob os holofotes da política. Pouco antes da morte de Reagan, a antiga primeira-dama Nancy Reagan e 58 senadores do País haviam pedido ao presidente George W. Bush para que relaxasse as restrições ao repasse de verbas federais para pesquisas com células-tronco que seu governo vem impondo desde 2001. Bush, contudo, rejeitou todos os pedidos.As células-tronco são como se fossem os tijolos usados para construir o corpo humano. Os cientistas acreditam que elas podem ser induzidas a se tornar tipos específicos de células, que aí então poderiam ser utilizadas para substituir tecidos danificados e tratar enfermidades tais como a diabete, o Mal de Parkinson e lesões da espinha dorsal. A principal causa da diabete é a incapacidade do organismo em produzir e metabolizar adequadamente a insulina; os médicos acreditam que as células-tronco poderiam ser utilizadas para criar células produtoras de insulina.A maioria das células-tronco é retirada de embriões excedentes criados em fertilizações in vitro e doados por clínicas de fertilização. Contudo, muitos cientistas acreditam que, para funcionar mais adequadamente, as células-tronco deverão ser retiradas de embriões clonados a partir do DNA do próprio paciente, o que evitaria problemas de rejeição por parte do organismo.Na Louisiana, a governadora Democrata Kathleen Blanco pode ser forçada a escolher entre dois decretos: aquele que proibiria tanto a clonagem reprodutiva quanto a terapeutica e aquele que tornaria ilegal apenas a clonagem reprodutiva. Blanco já declarou não ter ainda uma opinião formada sobre qual decisão tomar se os dois projetos chegarem a ser enviados para sua apreciação.

Agencia Estado,

19 de junho de 2004 | 04h05

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