Leilão para emissões não aumentará preço da energia, diz WWF

Autores de relatório concluiram que o que encarece os preços é o sistema de comércio de emissões em si

Efe

23 de setembro de 2008 | 15h39

O leilão das concessões às empresas para a emissão de dióxido de carbono (CO2) não representará uma alta dos preços da energia como teme a indústria, segundo um estudo elaborado pela associação ecológica Fundo Mundial para a Natureza (WWF, na sigla em inglês). Os autores do relatório chegaram à conclusão de que o que encarece os preços é o sistema de comércio de emissões em si, e não a maneira como as concessões são oferecidas ou vendidas. Como exemplo, citam o caso da Alemanha, onde os produtores de energia já estão cobrando do consumidor tanto os custos do combustível quanto o valor das permissões de emissão de CO2, que no entanto são concedidas gratuitamente em sua maioria. A organização denuncia que as empresas de energia elétrica obtiveram "lucros maciços" com o sistema de concessão gratuita aplicado na primeira fase do comércio de emissões poluentes (entre 2005 e 2007) e com o atual, que continuará sendo aplicado até 2012. A WWF calcula que no caso alemão os lucros para as companhias elétricas poderão alcançar os 34 bilhões de euros até 2012. Segundo a organização, embora a normativa ajude alguns aumentos de preços relativos ao leilão de permissões, estes serão "significativamente menores" que os previstos pela indústria e alguns Governos. "A concessão gratuita ou o leilão acabarão sendo mais uma questão de canalizar o dinheiro em direção aos cofres das companhias energéticas e às políticas de mudança climática", afirmou Sanjeev Kumar, coordenador do sistema de comércio de emissões para a WWF. O sistema de leilão foi proposto pela Comissão Européia no começo do ano com a idéia de que entre em vigor em 2013, quando as instalações industriais terão que começar a comprar permissões de emissão de gases poluentes concedidas atualmente de forma gratuita pelos Governos. A WWF explica que a decisão de mudar para este sistema se deve às "experiências desastrosas" das concessões gratuitas de permissões para emissão de CO2.

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