Lenha ecológica é novidade do Ibama

Uma alternativa mais ecológica para a lenha ou o carvão vegetal para churrascos foi apresentada, nesta terça-feira, em Brasília, por técnicos do Laboratório de Produtos Vegetais do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (LPF-Ibama).A lenha ecológica de briquete é produzida com restos de madeira e pó de serragem, normalmente descartados por serrarias e indústrias de móveis, portas e janelas ou outros artefatos de madeira, somando cerca de 30 milhões de toneladas de resíduos/ano, em todo o País. Em muitos casos, os resíduos são amontoados em pátios, onde eventualmente pegam fogo, ou são jogados nos rios.Em usinas de briquetagem, tais resíduos são prensados a quente, em equipamentos que produzem uma pressão de 1000 kg/cm2 e chegam a 140º C, transformando o pó de serragem em pequenos blocos de madeira seca, de alta densidade."Para usar os briquetes em churrasqueiras, o usuário precisa permitir a entrada de bastante oxigênio e iniciar o fogo com gravetos ou restos de madeira, depois disso, o fogo pega fácil e a eficiência é maior do que a do carvão, além de produzir muito menos fumaça", comenta Waldir Quirino, do LPF-Ibama, responsável pelo desenvolvimento de mais opções de uso para a serragem prensada.Segundo Quirino, entre 30 e 40 usinas de briquetagem já funcionam no País, produzindo briquetes dos mais variados restos vegetais. "No Nordeste, queremos incentivar a produção de lenha ecológica a partir de bagaço de cana para substituir a lenha, que está sendo tirada de unidades de conservação e reservas legais", comenta. "No Centro-Sul, acreditamos que a substituição do carvão em churrasqueiras ou da lenha em padarias, olarias, pizzarias e restaurantes será interessante".Os briquetes produzem três vezes mais energia do que a lenha e duas vezes mais do que o carvão, que é bem menos denso. Um metro cúbico de carvão pesa cerca de 250 quilos, enquanto o mesmo metro cúbico de briquetes pesa de 700 a 800 quilos. A lenha ecológica já interessou até compradores do exterior. Representantes da União Européia entraram em contato com o Ibama para negociar a importação de 200 mil toneladas de briquetes/ano, inicialmente destinados à França e Espanha. Waldir Quirino parte para a França nesta sexta-feira, dia 2 de maio, para discutir as possibilidades técnicas e econômicas de fornecer o produto.

Agencia Estado,

29 de abril de 2003 | 20h31

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