Levantamento aponta Morumbi como melhor bairro de São Paulo

Qual a melhor região da cidade para se viver, levando em consideração tanto aspectos socioeconômicos quanto ambientais? Um bairro que não apresenta os melhores índices sociais de São Paulo pode estar localizado numa uma área privilegiada no aspecto ambiental. Essa foi uma das conclusões a que chegaram os organizadores do Atlas Ambiental, um levantamento socioambiental de todas as regiões de São Paulo. A partir do estudo foi elaborado um ranking dos melhores locais para se viver na cidade. Para isso, o estudo levou em consideração desde índices de violência até a quantidade de áreas verdes por habitante. O cruzamento de dados revelou resultados interessantes. O distrito de Socorro, na zona sul, por exemplo, apresenta graves problemas sociais e ficou em 17.º lugar no levantamento. Em compensação, sua localização privilegiada, perto de represas e a grande quantidade de áreas verdes, fez com que o local ficasse em terceiro lugar no ranking. Pelo resultado, o campeão de qualidade de vida é o Morumbi, na zona sul. E os moradores da região reconhecem isso. "Não há dúvidas de que é o melhor lugar para se viver, considerando as opções que há em São Paulo", diz o diretor industrial Augusto Matos, morador da região. Mesmo assim, Matos faz algumas ressalvas à qualidade de vida ambiental do Morumbi. "Do ponto de vista socioeconômico, com certeza aqui é muito bom. Mas em relação à questão ambiental tenho minhas dúvidas." Apesar da abundância de áreas verdes, Matos afirma que o progresso tem provocado problemas, como o tráfego pesado e o aumento de empreendimentos imobiliários na área. "Estão construindo muitos prédios em antigas áreas livres. Além de ser um terreno a menos, junto com os prédios chegam mais carros para a região", comenta Matos. Deficiências - Na outra ponta do ranking está Sapopemba, na zona leste. A tosadora de animais Cristiane de Souza enumera os problemas do bairro onde mora e trabalha: segurança, transporte precário, falta de áreas de lazer, parques e praças. "Seria bom ter ao menos um parque para levar meus cães para passear", diz Cristiane, que possui um poodle e um rottweiler. A falta de espaço para o lazer não pára por aí. Muitas vezes ela deixou de ver o namorado, que mora em outro bairro, por causa da falta de transporte. "Quando ele vem para cá, está arriscado a não conseguir voltar, por falta de ônibus", lamenta Cristiane. (M.L.)

Agencia Estado,

27 de agosto de 2003 | 08h36

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