LHC agora passará por fase de calibragem, diz brasileiro

Primeiras colisões vão reproduzir experimentos já realizados, a fim de calibrar os instrumentos

Carlos Orsi, do estadao.com.br,

10 de setembro de 2008 | 15h11

Um dos brasileiros envolvidos no projeto do Grande Colisor de Hádrons (LHC), o físico Sérgio Novaes, do Instituto de Física Teórica (IFT) da Unesp, considerou o início das operações do aparelho - a mais complexa máquina já construída, que estende por 27 km do subsolo entre França e Suíça - um "sucesso absoluto". "Foi, como disseram, o dia dos engenheiros, já que tudo deu certo depois de 20 anos de trabalho".    Brasileiro explica o experimento na Suíça  Entenda o LHC Assista ao vivo o que acontece no laboratório  Experiência do LHC depende de rede mundial de computadores  Estudo reafirma que acelerador de partículas LHC é seguro  Cientistas criam rap para explicar o Grande Colisor de Hádrons  LHC não vai destruir a Terra, conclui relatório de segurança  Cientistas querem proibir simulação do 'Big Bang'   Site do Cern  Site do LHC Grid  Animação que explica como o LHC Grid funciona  Vídeo do Cern explica o LHC em três minutos (em inglês)   Galeria com imagens do LHC       Novaes e outros cientistas acompanharam  o lançamento do segundo feixe de prótons no acelerador a partir do IFT, com três televisores transmitindo as imagens geradas na Suíça. Esse segundo feixe, que percorreu o colisor no sentido anti-horário, foi disparado por volta das 10h desta manhã, cinco horas após o primeiro, que completou uma volta em sentido horário.   Segundo ele, o intervalo de cinco horas entre os dois feixes foi bom para a platéia nacional, que conseguiu assistir ao segundo teste ao vivo. "Em Chicago (EUA), cientistas fizeram uma festa do pijama para acompanhar o primeiro feixe", disse ele. "Aqui, a gente se garantiu e chegou mais tarde, já vestido".   Quando o LHC começar a ser usado para pesquisas científicas, os feixes serão disparados simultaneamente, para que os físicos possam analisar os resultados das colisões entre os prótons. O físico brasileiro acredita que as primeiras colisões poderão ocorrer já em outubro ou novembro. "O Cern (Centro Europeu de Pesquisas Nucleares, responsável pelo LHC) fala em esperar um ou dois meses, mas eles costumam ser muito conservadores com a agenda", diz o brasileiro. "Do jeito que as coisas estão indo bem, não me surpreenderia se houvesse algo antes".   As primeiras colisões do LHC, explica Novaes, tentarão reproduzir resultados já obtidos em outros aceleradores, para realizar a calibragem do instrumento. "A idéia é ver se o LHC consegue redescobrir o que já foi descoberto", diz. "Se conseguir reproduzir, detectar e analisar, consegue-se calibrar o aparelho".   Novos resultados, com descobertas científicas inéditas, ainda devem demorar de dois a três anos. "Esses resultados dependem de estatísticas, e é preciso acumular uma grande quantidade de dados".

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