LHC começa a funcionar; colisões podem ocorrer em breve

O LHC poderá revelar novas dimensões, matéria escura e uma partícula hipotética, o bóson de Higgs

Associated Press,

10 de setembro de 2008 | 13h47

O maior acelerador de partículas do mundo passou por seus principais testes ao disparar feixes de prótons em direções opostas ao longo de um anel subterrâneo de 27 km nesta quarta-feira, 10, no que cientistas esperam que venha a ser o próximo grande passo na compreensão da estrutura do Universo.   LHC agora passará por fase de calibragem  Brasileiro explica o experimento na Suíça  Entenda o LHC Assista ao vivo o que acontece no laboratório  Experiência do LHC depende de rede mundial de computadores  Estudo reafirma que acelerador de partículas LHC é seguro  Cientistas criam rap para explicar o Grande Colisor de Hádrons  LHC não vai destruir a Terra, conclui relatório de segurança  Cientistas querem proibir simulação do 'Big Bang'   Site do Cern  Site do LHC Grid  Animação que explica como o LHC Grid funciona  Vídeo do Cern explica o LHC em três minutos (em inglês)   Galeria com imagens do LHC       Após uma série de simulações, dois pontos brancos piscaram numa tela de computador às 10h26 desta manhã em Genebra (5h26 da madrugada, em Brasília) indicando que os prótons haviam percorrido todo o comprimento do Grande Colisor de Hádrons (LHC), descrito como o maior experimento científico da história.   "Aí está", disse o líder do projeto, Lyn Evans, quando o raio completou seu curso.   Garrafas de champanhe espocaram em várias cidades do mundo, onde cientistas que colaboram com o esforço europeu assistiam à operação via satélite. Cinco horas depois, um segundo feixe foi disparado, com sucesso, no sentido anti-horário.   Agora, os físicos do mundo têm um poder muito maior para esmagar os componentes da matéria em tentativas de entender sua estrutura. "Bom trabalho, todo mundo" disse Robert Aymar, diretor-geral da Organização Européia de pesquisa Nuclear, o Cern, para os cientistas que gritavam de alegria na sala de controles do LHC, na fronteira franco-suíça.   Em breve, dois feixes serão inseridos no acelerador em direções opostas e ao mesmo tempo, gerando colisões que têm o objetivo de recriar condições que existiam uma fração de segundo após a origem do Universo.   O esperado choque entre partículas no LHC, ainda a baixas energias, pode até acontecer nos próximos dias, segundo Andre Rabelo dos Anjos, físico brasileiro filiado à Universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos, que acompanha de perto o experimento na Suíça. Segundo ele, não há uma data fechada para colocar as partículas em rota de colisão e é possível que, caso o experimento continue no bom ritmo atual, o choque aconteça em breve.   O LHC foi projetado para empurrar os feixes de prótons a velocidades próximas à da luz, dando 11.000 voltas no túnel a cada segundo. Os cientistas esperam enviar dois feixes por dois tubos com a espessura de mangueiras de bombeiro, através de um vácuo mais vazio e frio que o espaço sideral. As trajetórias desses feixes vão se cruzar, e alguns prótons colidirão. Os detectores do colisor - essencialmente, grandes câmeras digitais que pesam milhares de toneladas - são capazes de tirar milhões de fotografias por segundo.   Os experimentos que serão conduzidos no LHC poderão revelar informações sobre a "matéria escura" que dá coesão às galáxias,  a antimatéria e, talvez, sobre dimensões ocultas do espaço-tempo. Mas seu principal objetivo é encontrar provas de que uma partícula ainda hipotética - o bóson de Higgs - realmente existe. Essa partícula seria a responsável por dotar de massa a matéria que existe no Universo.   Os magnetos super-resfriados que guiam os feixes de prótons pelo colisor aqueceram-se um pouco no primeiro teste, o que levou a uma pausa para o resfriamento antes da injeção do segundo feixe.   Segundo o principal porta-voz do Cern, James Gilles, a coisa mais perigosa que poderia acontecer no LHC seria um feixe de prótons em energia máxima escapar do controle. Mas isso só causaria danos ao próprio acelerador, com os prótons enterrando-se na rocha  que cerca o túnel.   Nada do tipo ocorreu nesta quarta, embora ainda falte provavelmente um ano até que o LHC entre em potência total.   (com Mônica Aquino, do estadao.com.br)

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