Líderes judaicos se espantam com afirmação do papa sobre Pio 12

Líderes judaicos reagiram com espanto neste domingo aos comentários feitos pelo papa Bento 16 no seu novo livro, em que afirma que o antigo papa Pio 12 foi um homem "grande e justo" que "salvou mais judeus que qualquer um".

PHILI, REUTERS

21 Novembro 2010 | 16h29

Muitos judeus acusam Pio, que foi papa entre 1939 e 1958, de ignorar o Holocausto. O Vaticano diz que ele trabalhou discretamente, pois fazer declarações públicas teria gerado represálias nazistas contra católicos e judeus na Europa.

Em livro que será publicado na terça-feira, chamado de "Light of the World: The Pope, the Church, and the Sign of the Times" ("Luz do Mundo: o Papa, a Igreja e os Sinais dos Tempos"), o papa alemão diz que Pio 12 fez o que podia e não protestou de forma mais clara porque temia as consequências.

Na entrevista a um jornalista alemão que originou o livro, Bento 16 diz sobre Pio: "A questão decisiva é o que ele fez e o que ele tentou fazer e, nesse ponto, nós realmente precisamos admitir, eu acredito, que ele foi um dos grandes homens justos e que ele salvou mais judeus que qualquer um".

Líderes judeus mostraram-se surpresos com a declaração.

"Os comentários do papa Bento 16 enchem-nos de dor e tristeza e lança uma sombra sobre as relações Vaticano-judaicas", disse Elan Steinberg, vice-presidente da Assembleia Americana de Sobreviventes do Holocausto e seus Descendentes.

"É desolador que o papa tenha considerado necessário julgar o papa Pio 12 quando ele próprio admite que os documentos e arquivos não estão disponíveis para fazer um julgamento completo", disse Abe Foxman, diretor nacional da Liga Anti-Difamação dos Estados Unidos.

Mais conteúdo sobre:
PAPA REACAO JUDEUS*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.