Lista de espécies ameaçadas é só fração da realidade

Um dos aspectos mais preocupantes sobre a nova lista de espécies ameaçadas é que ela representa apenas uma fração microscópica da realidade que vive a biodiversidade global.A estimativa total de espécies existentes no mundo varia entre 8 milhões e 30 milhões - ou até 100 milhões, segundo alguns pesquisadores -, mas apenas 1,5 milhão delas são catalogadas pela ciência. O Brasil, dono da maior biodiversidade mundial, abriga até 20% delas."A lista é apenas uma primeira aproximação do número real", diz o diretor científico do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo, Mário de Pinna. "Fora essas espécies ameaçadas, muitas outras estão desaparecendo antes mesmo de sabermos que elas existem."Entre as espécies desconhecidas, calcula-se que a maioria seja de animais endêmicos, que existem apenas em um ecossistema específico - às vezes uma única ilha ou espécie de árvore. Não é à-toa que a grande maioria dos animais criticamente ameaçados no Brasil sejam endêmicos da mata atlântica. A perda de hábitat continua sendo a maior ameaça à sobrevivência dessas espécies."A tendência da lista é aumentar com o tempo", afirma o presidente do Conselho Nacional da Reserva de Biosfera da Mata Atlântica, Clayton Ferreiro Lino. "As espécies são indicadores da condição do hábitat. Se uma delas está na lista, é porque a saúde do ecossistema como um todo está fragilizada."Segundo Lino, a retirada de algumas espécies da lista mostra que os esforços de conservação dão resultado. "A lista deve ser vista como um alerta, não como uma declaração de óbito."

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