Litoral sofre com poluição invisível

Um dos maiores atrativos turísticos do país - o litoral - está ameaçado. Os ambientes marinhos não são afetados apenas por vazamento de petróleo e lançamento de esgoto. Os cascos de navios, por exemplo, costumam ser recobertos por substâncias venenosas. Elas são aplicadas visando impedir a formação de uma película de organismos vivos que cresce aderida ao casco das embarcações e é indesejável para o transporte marítimo, pois aumenta o atrito com a água reduzindo a velocidade. Segundo pesquisa coordenada pelo professor Marcos Antônio Fernandez, do departamento de Oceanografia e Hidrologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), "os efeitos dessas substâncias no ecossistema marinho são terríveis".Os problemas crônicos causados por certos produtos, como esses usados no casco dos navios, não chamam a atenção da sociedade. Em geral, só a poluição marinha aguda - caracterizada por uma toxicidade elevada, porém rápida ? desperta preocupação nas pessoas, porque acarreta a morte de muitos peixes e de outros organismos. No entanto, nem sempre os danos ambientais são tão óbvios. No caso da poluição marinha crônica - que corresponde a uma toxicidade mais baixa e prolongada -, os animais passam a crescer menos e a ter dificuldades de reprodução e de descolamento. A ação humana interfere no mecanismo de seleção natural, porque, com o passar do tempo, as espécies mais resistentes aumentam o tamanho de sua população, enquanto as mais suscetíveis podem desaparecer. Embora a morte dos organismos não seja visível, o ecossistema está sendo silenciosamente alterado. Fernandez compara a poluição crônica ao cigarro: "já foi comprovado que a nicotina pode produzir um câncer, mas o fumante nem liga, porque a toxicidade não se manifesta em curto prazo".Como a pesquisa básica no Rio e no resto do país tem sérias deficiências, não existem dados suficientes sobre as populações naturais de cada região do litoral. Sem essas informações, torna-se quase impossível avaliar de forma precisa os impactos da ação humana no ecossistema marinho. As universidades, sobretudo as públicas, até tentam suprir essa carência de dados. De acordo com Fernandez, "trata-se de um esforço heróico, mas desencontrado, pois cada instituição usa o método que quer para estudar espécies diferentes em épocas do ano também distintas, o que impede a comparação dos resultados".As informações são da Agência Brasil.

Agencia Estado,

29 de agosto de 2003 | 19h33

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