Livro traz radiografia das últimas regiões naturais da Terra

As grandes extensões de natureza intacta ou sob pouca influência da presença humana estão se tornando raras. Apesar de garantirem diversos serviços ambientais ao planeta ? como qualidade e disponibilidade de água, estabilidade climática, seqüestro de carbono, manutenção da biodiversidade - estão ameaçadas pela fragmentação, avanço de fronteiras econômicas, desmatamentos, mineração, expansão agrícola e exploração de recursos naturais.A impressão de que são indestrutíveis ou infinitas, freqüentemente associada a seu tamanho, se traduz em frágeis políticas nacionais de proteção, que asseguram apenas 7,4% da área total, na forma de unidades de conservação.RadiografiaPara mostrar a importância de conter/racionalizar a ocupação humana em tais regiões naturais, a Conservation International (CI) e a Agrupación Sierra Madre lançam, nesta quinta-feira, em Washington, nos Estados Unidos, o livro Wilderness: Earth?s Last Wild Places (Grandes Regiões Naturais: As Últimas Áreas Silvestres da Terra), fruto do trabalho de 200 especialistas, durante dois anos.A publicação traz uma radiografia das últimas 37 regiões naturais do mundo, com extensões variando de 10 mil a 16,2 milhões de quilômetros quadrados e índices de proteção muito diversos, de apenas 0,025% de sua área (Antártida) a 100% (Tasmânia). Trata-se do terceiro livro de uma série, iniciada em 1996, que aborda grandes estratégias de conservação da biodiversidade mundial. Os dois anteriores foram Megadiversidade, sobre os 17 países mais ricos em biodiversidade (1997), e Hotspots, sobre as 25 áreas que abrigam mais de 60% das espécies conhecidas de plantas e animais em apenas 1,4% da superfície terrestre (1999).Rara oportunidadeAs 37 regiões analisadas, na mais nova publicação, abrangem nove tipos de bioma: florestas úmidas tropicais, bosques tropicais e savanas, áreas úmidas, desertos, pradarias temperadas, florestas boreais, tundra ártica e Antártida. No passado, tais biomas cobriam 81 milhões de km2 ou 54,6% da superfície terrestre do planeta. Atualmente, as 37 últimas Grandes Regiões Naturais da Terra somam 11.830.099 km2, representando 6,1% da superfície terrestre. Mas ainda têm uma densidade populacional inferior ou igual a 5 habitantes por km2. ?Embora 76% das últimas 37 grandes regiões ainda estejam intactos, esta situação está se modificando rapidamente. Ainda temos a oportunidade de fazer a conservação do modo certo: prevenindo e não apenas remediando os danos, depois do fato consumado?, alerta Russel A. Mittermeier, presidente da CI. ?Agora temos a chance de conservar ecossistemas e não só fragmentos. A remediação tem um custo muito alto e não consegue refazer os ecossistemas originais.?ClassificaçãoPara a classificação das Grandes Regiões Naturais, os critérios, além da extensão (mais de 10 mil km2), foram o porcentual ainda intacto de cada bioma (mais de 70%) e a densidade populacional (igual ou menor do que 5 habitantes por km2). Três das grandes regiões naturais destacadas são ? total ou parcialmente - brasileiras: Amazônia, Pantanal e Caatinga. As outras 6 regiões na América do Sul são: Banhados do Leste, Grande Chaco, Desertos Costeiros do Peru e Chile, Llanos, Patagônia, Florestas Úmidas Subpolares de Magalhães.Na América do Norte ficam 9 regiões: Tundra Ártica, Floresta Boreal, Grande Deserto de Chiuahua, Plateau do Colorado, Deserto de Mojave, Florestas da Costa Pacífica do Alasca e Canadá, Montanhas Rochosas do Norte, Desertos de Sonora e Baja Califórnia.Na África são 8 regiões: Congo, Kalahari, Bosques e Savanas de Miombo-Mopane, Deserto da Nimíbia, Saara/Sahel, Okavango, Serengueti e Sudd. Na Ásia são 5: Desertos Árabes, Tundra Ártica, Floresta Boreal, Desertos Centro-Asiáticos e Os Sundarbans. Na Oceania são 6: Terra de Arnhem, Desertos Australianos, Península do Cabo York, Kimberley, Nova Guiné, Tasmânia.Na Europa são três regiões: Montanhas Européias, Tundra Ártica e Floresta Boreal. E a última grande região natural é a Antártida. Duas regiões ? os Apalaches (EUA) e as Montanhas Européias ? foram incluídas no livro por sua importância, apesar de abrigarem uma densidade populacional maior. A caatinga brasileira também não se enquadrou neste critério (tem mais de 5 hab/km2), embora ainda tenha grandes áreas intactas.

Agencia Estado,

04 de dezembro de 2002 | 19h09

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