Lixo nas praias motiva mutirões e campanhas educativas

O acúmulo de lixo nas praias e cidades litorâneas assombra o turismo de verão, em todo o Brasil. Mesmo com a intensificação do trabalho de varrição e coleta, a sobrecarga é tão grande, que só as parcerias entre poder público, organizações não-governamentais (ongs) e setor privado conseguem dar conta. Além dos ambientalistas, guias de mergulho, surfistas, escolas, agentes de ecoturismo, hotéis, restaurantes, bancos, associações de moradores e até pequenas empresas participam, patrocinam ou promovem campanhas, na tentativa de livrar a paisagem do excesso de embalagens de papel, plástico e latinhas. Em Recife, o foco de atenção está na Praia de Boa Viagem, que fica na zona urbana e precisa dobrar o número de garis, na limpeza de praia, nos finais de semana da alta temporada, entre dezembro e março. Numa parceria entre a Prefeitura, a Companhia Pernambucana do Meio Ambiente (CPRH), a ong local Auçuba e o Unibanco Ecologia, iniciou-se hoje a campanha de educação infantil Verão Limpo 2003, que prossegue até 23 de fevereiro. As crianças que estiverem na praia de manhã são convidadas a participar de uma série de atividades orientadas, debaixo de um toldo de 100 metros, montado para este fim. O investimento é de R$100 mil e a expectativa é de que as crianças passem a respeitar melhor ?o espaço democrático, que é a praia, como se fosse uma extensão de sua casa?, observa Geraldo Miranda, da CPRH. O Unibanco Ecologia já patrocinou o mesmo tipo de parceria em Fortaleza (CE), Florianópolis (SC), Rio de Janeiro (RJ, Ilhabela e São Sebastião (SP).No ano passado, a campanha Praia Limpa, também do governo estadual de Pernambuco, distribuiu lixeiras, porta cerveja e ciscadores para 500 barraqueiros de 14 praias. Segundo Miranda, eles têm a obrigação de limpar a área em torno de sua barraca, diariamente, quando se retiram da praia. Mutirões e passeatas de coleta de lixo ocorreram na Praia do Paiva, São José da Coroa Grande e Olinda, organizados por associações de moradores e amigos destas localidades. Em Porto de Galinhas, além dos barraqueiros, hotéis e restaurantes mantém uma campanha permanente, uma vez que o turismo ali é internacional e durante todo o ano.No Litoral Norte de São Paulo, os mutirões de coleta incluem até a limpeza de costões, feita por mergulhadores. Durante o ano, as prefeituras da região recolhem cerca de 280 toneladas diárias de lixo, mas na alta temporada de verão o total chega a 1.000 toneladas. Apenas no Ano Novo, em Caraguatatuba, foram 352 toneladas de lixo, e, em São Sebastião, 410 toneladas, segundo dados do portal Altomar.net, que apóia a coleta voluntária prevista para o próximo sábado, dia 25 de janeiro, na Praia de Boracéia, em Bertioga, organizada pela ong Resgate Ambiental. Os voluntários do Resgate Ambiental recolheram 127 kg de lixo na praia de Juquehy, em novembro passado e já estiveram também em Boiçucanga e Barra do Una. A expectativa, agora, é de coletar 200kg entre papéis, bitucas de cigarros e metais.

Agencia Estado,

21 de janeiro de 2003 | 16h38

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